Veto da União Europeia à carne brasileira não deve impactar exportações de Rondônia

Apesar do bloqueio europeu, Rondônia mantém foco em mercados como China e Rússia, preservando posição no agronegócio nacional.
A União Europeia anunciou o veto às importações de carne bovina brasileira a partir de setembro de 2026, medida que não deve afetar Rondônia, pois o estado não exporta para o bloco europeu.
Na última terça-feira (12), a União Europeia comunicou a suspensão das importações de carne bovina oriunda do Brasil, com vigência prevista para setembro de 2026. Essa decisão, que abrange produtos de origem animal, gerou repercussão no setor pecuário nacional. Contudo, Rondônia, um dos principais estados produtores do país, não deverá sofrer impactos diretos, uma vez que não possui autorização para comercializar carne bovina com os países europeus.
De acordo com dados da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron), o estado detém aproximadamente 17 milhões de cabeças de gado, posicionando-se como o sexto maior rebanho bovino do Brasil. Além disso, Rondônia figura entre os seis maiores exportadores de carne bovina do país, direcionando suas vendas principalmente para mercados como China, Rússia e Hong Kong.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) reforça que, devido à ausência de exportações para a União Europeia, a medida não deve acarretar efeitos imediatos para Rondônia. A restrição europeia, que ainda não está em vigor, prevê a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco econômico.
Em âmbito nacional, o veto pode representar uma perda anual estimada em 1,8 bilhão de dólares para os exportadores brasileiros, caso não seja revertido até a data estipulada. A decisão afeta não apenas a carne bovina, mas também aves, ovos, mel, peixes, equinos e derivados de origem animal.
Para reverter a suspensão, a Comissão Europeia exige que o Brasil comprove o cumprimento dos requisitos relacionados ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação. A retomada das exportações dependerá da demonstração dessa conformidade.
O Brasil pode optar por restringir legalmente o uso dos medicamentos antimicrobianos ou implementar sistemas rigorosos de rastreabilidade para garantir que os produtos exportados estejam livres dessas substâncias. A segunda alternativa envolve desafios significativos, incluindo monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos elevados para produtores e frigoríficos.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que o país já atende a todos os requisitos da União Europeia, inclusive os relacionados a antimicrobianos, e está empenhada em apresentar essas evidências às autoridades europeias. Paralelamente, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) destacou que a carne bovina brasileira cumpre rigorosos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos internacionalmente.
Assim, enquanto Rondônia segue focada em seus mercados tradicionais fora da União Europeia, o Brasil trabalha para solucionar as pendências que motivaram o veto europeu, buscando garantir a continuidade das exportações para o bloco e minimizar prejuízos ao setor pecuário.
Contexto
O veto da União Europeia às importações de carne bovina brasileira foi motivado por preocupações relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. A medida, que entrará em vigor em setembro de 2026, visa assegurar a segurança alimentar e a conformidade sanitária dos produtos importados. Rondônia, apesar de ser um dos principais estados produtores e exportadores de carne no Brasil, não comercializa com o bloco europeu, direcionando suas exportações para países como China e Rússia. O Brasil busca negociar com a União Europeia para reverter o veto, adotando medidas que garantam o cumprimento dos requisitos sanitários exigidos.

