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Pai de Daniel Vorcaro é preso em nova fase da Operação Compliance Zero que investiga fraudes financeiras

Pai de Daniel Vorcaro é preso em nova fase da Operação Compliance Zero que investiga fraudes financeiras

Investigação da Polícia Federal mira esquema envolvendo Banco Master, BRB e movimentações financeiras suspeitas de mais de R$ 1 bilhão

A Polícia Federal deteve Henrique Vorcaro, fundador do Grupo Multipar e pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em Belo Horizonte, durante nova etapa da Operação Compliance Zero, que apura fraudes e crimes financeiros ligados ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB).

Na manhã desta quinta-feira (14), a Polícia Federal cumpriu mandado de prisão contra Henrique Vorcaro, empresário do setor de infraestrutura e fundador do Grupo Multipar, em Belo Horizonte. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que investiga o Banco Master. A prisão integra uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. De acordo com a PF, o esquema envolve a criação e negociação de títulos de crédito falsos por instituições financeiras. O Grupo Multipar, fundado por Henrique Vorcaro, atua em segmentos como engenharia, energia, agronegócio e mercado imobiliário. Investigadores suspeitam que Henrique atuava sob orientação do filho, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, integrando a estrutura fraudulenta. A operação teve início em novembro de 2025, após a Polícia Federal identificar a fabricação de carteiras de crédito sem lastro, que teriam sido vendidas a outro banco. Posteriormente, esses ativos foram substituídos por títulos sem avaliação técnica adequada após fiscalização do Banco Central. O foco inicial da apuração recai sobre transações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A investigação aponta que o Master criou carteiras de crédito fictícias para inflar seus balanços e gerar liquidez artificial, vendendo esses ativos ao banco público. Em fases anteriores, a Compliance Zero já resultou em prisões, buscas e bloqueios bilionários. Em março, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, além do bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens para impedir movimentações financeiras do grupo investigado. A investigação também identificou um núcleo responsável por vigilância e intimidação ligado a Daniel Vorcaro, com apurações sobre crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. Na quinta fase da operação, ocorrida na semana passada, a Polícia Federal atingiu o núcleo político da investigação, cumprindo dez mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária em estados como Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Foram bloqueados R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores. Segundo o STF, essa etapa apurou a atuação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em favor de Daniel Vorcaro, em troca de vantagens indevidas. O ministro André Mendonça decretou ainda a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, por cinco dias, e aplicou medidas cautelares ao parlamentar e outros investigados. A nova fase desta quinta-feira amplia o escopo da investigação para familiares e pessoas próximas a Daniel Vorcaro. Henrique Vorcaro está citado em movimentações financeiras suspeitas relacionadas à Multipar. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que, entre 2020 e 2025, foram movimentados mais de R$ 1 bilhão em contas vinculadas ao entorno do ex-dono do Banco Master.

Contexto

A Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025 para investigar fraudes no sistema financeiro nacional, especialmente envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A apuração identificou a criação de carteiras de crédito fictícias, utilizadas para inflar balanços e gerar liquidez artificial, com posterior venda desses ativos a instituições financeiras. Ao longo das fases da operação, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão, além de bloqueios bilionários de bens. A investigação também alcançou um núcleo político, com suspeitas de corrupção envolvendo o senador Ciro Nogueira e familiares do banqueiro Daniel Vorcaro. O caso segue sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF.

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