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CPI do Crime Organizado convoca Martha Graeff para esclarecer relações de Daniel Vorcaro com autoridades

CPI do Crime Organizado convoca Martha Graeff para esclarecer relações de Daniel Vorcaro com autoridades

Modelo e influenciadora deve depor em 25 de março sobre conversas que envolvem políticos, integrantes do Judiciário e suposta organização criminosa

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado agendou para o dia 25 de março o depoimento de Martha Graeff, ex-noiva do empresário Daniel Vorcaro, para esclarecer investigações sobre supostas articulações com autoridades e um grupo de intimidação.

A CPI do Crime Organizado definiu para a próxima quarta-feira, 25 de março, o depoimento da modelo e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, empresário investigado por supostas práticas ilícitas. A convocação foi aprovada pelo colegiado em 18 de março, tornando obrigatória a presença de Martha, embora haja casos em que o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha flexibilizado essa obrigação para testemunhas.

O pedido para a convocação partiu do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da comissão, que destacou a relevância do depoimento para o esclarecimento dos fatos sob análise. Segundo Vieira, Martha foi uma interlocutora frequente de Vorcaro, recebendo relatos que não constam em documentos oficiais, mas que indicam encontros e articulações com autoridades dos Três Poderes, incluindo políticos e membros do Judiciário.

Conforme o relator, o material obtido pela Polícia Federal inclui conversas privadas entre Vorcaro e Martha, datadas de 2024 e 2025, nas quais o empresário detalha viagens, contatos e estratégias envolvendo nomes de alto escalão, como Hugo, Ciro e Alexandre. Essas informações podem ser fundamentais para compreender a extensão das relações e o funcionamento de um suposto grupo chamado “A Turma”.

“A Turma” é apontada como uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas, hierarquia, financiamento robusto e capacidade de infiltração em instituições públicas. O grupo teria recebido ordens diretas de Vorcaro para realizar atos de intimidação contra concorrentes empresariais, ex-funcionários e jornalistas, conforme destaca o senador Alessandro Vieira.

Além do depoimento de Martha Graeff, a CPI agendou para o dia 24 de março o testemunho de Belline Santana, servidor do Banco Central e ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (DESUP). Belline é investigado na Operação Compliance Zero por supostamente atuar como consultor particular de Vorcaro, utilizando sua influência para beneficiar a instituição financeira em processos regulatórios. Em decorrência das investigações, Belline foi afastado cautelarmente e proibido de acessar as dependências e sistemas do Banco Central.

Outro depoimento previsto para o dia 25 é o do ex-governador do Mato Grosso, Pedro Taques. Ele foi convocado para esclarecer denúncias relacionadas a irregularidades no sistema de crédito consignado do estado, apresentadas por sindicatos. A participação de Taques visa aprofundar as investigações sobre possíveis fraudes e práticas ilícitas no setor.

A CPI do Crime Organizado segue investigando as conexões entre empresários, servidores públicos e autoridades políticas, buscando desarticular esquemas que possam comprometer a integridade das instituições brasileiras.

Contexto

A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado foi criada para investigar práticas ilícitas envolvendo grupos estruturados que atuam com influência em setores públicos e privados. O foco atual está em apurar as relações de Daniel Vorcaro, dono do Master, com autoridades dos Três Poderes e a existência de um grupo denominado “A Turma”, suspeito de realizar atos de intimidação e outras atividades criminosas. As investigações também abrangem servidores públicos, como Belline Santana, e autoridades políticas, como o ex-governador Pedro Taques, ampliando o escopo para possíveis irregularidades em operações financeiras e políticas públicas.

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