Mato Grosso

Secretário de Saúde de Mato Grosso será convocado para explicar demissões no SAMU

Secretário de Saúde de Mato Grosso será convocado para explicar demissões no SAMU - demissões no SAMU Mato Grosso

Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprova convocação e debate desafios na saúde pública estadual

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou a convocação do secretário estadual de Saúde, Juliano Melo, para esclarecer as recentes demissões no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e o fechamento de bases. A audiência está marcada para o dia 22 de março, às 8h.

Em sessão realizada na terça-feira (14), a Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) analisou 86 proposições e deliberou pela convocação do secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo. O objetivo é que o gestor esclareça os motivos das demissões de cerca de 50 profissionais do SAMU, ocorridas em março, incluindo condutores de ambulância, técnicos de enfermagem e enfermeiros, além do fechamento de algumas bases do serviço. Esta é a segunda convocação do secretário para tratar do tema, motivada pelas recentes mudanças no governo estadual.

O deputado Lúdio Cabral (PT) criticou a decisão do governo e destacou que o SAMU vem sendo prejudicado desde 2020, com a tentativa de transferir suas responsabilidades para o Corpo de Bombeiros. “O Corpo de Bombeiros é fundamental no atendimento de urgência, mas deve atuar de forma complementar ao SAMU, que é quem estabelece as regras do serviço”, afirmou.

Outro ponto de preocupação levantado na reunião foi o baixo número de transplantes realizados no estado. O deputado Dr. João (MDB) solicitou a presença dos responsáveis pela Central de Transplantes na ALMT para explicar a situação. Segundo ele, apesar da estrutura robusta da Central, com equipe médica e técnica especializada, o volume de cirurgias permanece reduzido. “Temos mais de duas mil pessoas em hemodiálise no estado, mas órgãos estão sendo encaminhados para outros estados. Precisamos entender o que está acontecendo”, ressaltou.

Durante a sessão, Dr. João também chamou atenção para a disparidade entre o número de leis aprovadas para beneficiar pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a efetividade dessas normas na prática. Lúdio Cabral reforçou a crítica, mencionando a demissão de cerca de 1,4 mil professores de apoio pedagógico especializado (PAPEs) no final de 2025, que deixou mais de duas mil crianças desassistidas. Ele explicou que a exoneração ocorreu em 18 de dezembro e interrompeu vínculos essenciais para o desenvolvimento desses estudantes, muitos dos quais não puderam frequentar as aulas no ano letivo seguinte. Diante da falta de diálogo com a Secretaria de Educação, as famílias estão recorrendo à Justiça para garantir o direito ao acompanhamento especializado.

Entre os projetos aprovados pela comissão está o PL 109/2026, que institui a carteira de identificação para pessoas que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC), facilitando o acesso prioritário a serviços de saúde. Dr. João, autor da proposta, destacou que o documento visa agilizar o atendimento e reduzir riscos de morte.

Também receberam parecer favorável os projetos que tratam da realização de exames genéticos para detecção de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 em mulheres com histórico familiar de câncer de mama ou ovário (PL 1781/2023), e a criação de ações integradas de acolhimento e apoio psicológico para adolescentes grávidas, com foco nas em situação de vulnerabilidade social (PL 83/2026).

Outros projetos (PLs 277/2026, 1384/2025 e 717/2020) foram adiados para análise futura. A reunião contou ainda com a participação online dos deputados Sebastião Rezende (União) e Paulo Araújo (Republicanos).

Contexto

Desde 2020, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Mato Grosso enfrenta desafios relacionados à redução de recursos e mudanças na gestão, culminando em demissões significativas em 2026. Paralelamente, o estado registra baixa atividade na Central de Transplantes, apesar da demanda crescente e da estrutura disponível. Além disso, políticas públicas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm sido questionadas devido à falta de efetividade, especialmente após a exoneração de professores especializados, afetando milhares de crianças. Essas questões têm mobilizado a Assembleia Legislativa para buscar esclarecimentos e soluções junto ao governo estadual.

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