Brasil registra recorde na produção de petróleo em meio à guerra no Irã

Produção diária chega a 5,531 milhões de barris de óleo equivalente, segundo dados da ANP divulgados em maio.
Em meio ao conflito no Oriente Médio, o Brasil atingiu em março de 2026 o maior volume histórico de produção de petróleo e gás natural, totalizando 5,531 milhões de barris de óleo equivalente por dia, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O Brasil alcançou um novo patamar na extração de petróleo e gás natural em março de 2026, registrando 5,531 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), superando o recorde anterior de fevereiro, que foi de 5,304 milhões de boe/d. A produção de petróleo cru isoladamente atingiu 4,247 milhões de barris diários, representando um aumento de 4,6% em relação ao mês anterior e 17,3% comparado a março de 2025. Já a extração de gás natural chegou a 204,11 milhões de metros cúbicos por dia, com crescimento de 3,3% em relação a fevereiro e 23,3% em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
Segundo o boletim mensal da ANP, a produção no pré-sal, que consiste em poços localizados a cerca de 2 mil metros de profundidade abaixo da lâmina d’água, totalizou 4,421 milhões de barris de óleo equivalente por dia, o que representa 79,9% da produção nacional e também um recorde histórico. O campo de Búzios, situado na Bacia de Santos, destacou-se como o maior produtor de petróleo do país, com 886,43 mil barris diários. Já o campo de Mero, também no pré-sal da Bacia de Santos, liderou a produção de gás natural, com 42,06 milhões de metros cúbicos por dia.
A Petrobras, operando sozinha ou em consórcios, foi responsável por 88,23% da produção total do país em março. A plataforma Almirante Tamandaré, em Búzios, foi a que mais contribuiu para a extração, com uma produção diária de 186 mil barris de petróleo.
Em maio, a produção nacional deve receber um reforço importante com o início da operação da plataforma P-79, também localizada em Búzios. A Petrobras anunciou que a produção da P-79 começou no dia 1º de maio, antecipando em três meses o início das operações. A nova unidade tem capacidade para produzir 180 mil barris de óleo por dia e comprimir até 7,2 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente.
O aumento da produção brasileira ocorre em um contexto de instabilidade global no mercado de petróleo, provocado pela guerra no Irã, iniciada em março com ataques dos Estados Unidos e Israel. O conflito afetou significativamente o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica por onde transitava cerca de 20% da produção mundial antes da guerra. O bloqueio imposto pelo Irã elevou os preços internacionais do barril de petróleo, com o Brent subindo de cerca de US$ 70 para US$ 114 nos últimos dois meses.
Diante desse cenário, a Petrobras intensificou esforços para ampliar a produção interna, visando reduzir a dependência do mercado externo. Paralelamente, o governo brasileiro adotou medidas para conter a alta dos preços dos derivados de petróleo, incluindo a isenção de impostos e subsídios a produtores e importadores, buscando minimizar os impactos para a economia doméstica e para os consumidores.
Contexto
O Brasil tem investido fortemente no desenvolvimento do pré-sal desde a sua descoberta, consolidando-se como um dos maiores produtores mundiais de petróleo. A guerra no Irã, iniciada em março de 2026, gerou uma crise na oferta global de petróleo, especialmente devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte da commodity. Este cenário elevou os preços internacionais e motivou países produtores, como o Brasil, a aumentarem sua produção para garantir maior segurança energética e estabilidade no mercado interno.

