China reforça princípio de não interferência após decisão dos EUA sobre PCC e CV

Ministério das Relações Exteriores da China destaca parceria estratégica com Brasil e espera fortalecer cooperação durante visita oficial
Em meio à recente decisão dos Estados Unidos de rotular as facções brasileiras PCC e CV como organizações terroristas, a China reafirmou seu compromisso com o princípio da não interferência em assuntos internos e confirmou a visita oficial do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, ao país no início da próxima semana.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, destacou em coletiva realizada no dia 29 de maio de 2026 que o país mantém firme o princípio da não interferência em questões internas de outras nações. A declaração foi dada em resposta à decisão anunciada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Mao Ning ressaltou ainda que a relação bilateral entre China e Brasil tem sido uma das mais sólidas entre a China e os países em desenvolvimento, enfatizando a importância da parceria estratégica. A porta-voz confirmou que o ministro brasileiro Mauro Vieira realizará uma visita oficial à China entre os dias 31 de maio e 2 de junho de 2026. Segundo Mao, a expectativa é que o encontro fortaleça a confiança política e estratégica entre os dois países, impulsionando a construção de uma comunidade com futuro compartilhado e promovendo a cooperação entre as nações do Sul Global. A visita também é vista como uma oportunidade para que Brasil e China reforcem seu compromisso com a paz e a estabilidade internacional. No Brasil, a decisão dos Estados Unidos gerou reações críticas. Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais da presidência brasileira, classificou a medida como um “pretexto para intervenção”. Em comunicado enviado ao Metrópoles, Amorim afirmou que a segurança pública é essencial para o desenvolvimento socioeconômico e que o combate ao crime organizado deve ser prioridade. No entanto, destacou que a cooperação internacional deve focar em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas, e que qualquer justificativa para intervenção externa é inaceitável. A classificação das facções como organizações terroristas pelos EUA representa uma mudança significativa na postura norte-americana em relação ao crime organizado brasileiro, com possíveis impactos nas relações bilaterais e na política interna do Brasil. Enquanto isso, a China mantém seu posicionamento diplomático tradicional, enfatizando o respeito à soberania dos países e a importância do diálogo e da cooperação entre nações em desenvolvimento.
Contexto
A decisão dos Estados Unidos de designar o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras, anunciada em 28 de maio de 2026, marca uma escalada na abordagem norte-americana contra o crime organizado brasileiro. O PCC e o CV são as duas maiores facções criminosas do Brasil, envolvidas em atividades como tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro. A medida dos EUA pode influenciar operações de segurança e cooperação internacional, além de gerar tensões diplomáticas. A China, por sua vez, mantém uma política externa pautada na não interferência e no fortalecimento das relações com países em desenvolvimento, como o Brasil, buscando ampliar sua influência geopolítica e econômica na América Latina. A visita do ministro Mauro Vieira à China ocorre em um momento delicado, com potencial para reafirmar a parceria estratégica entre os dois países em meio a desafios globais e regionais.

