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Caso Master: Irmã de Sicário ameaçou expor documentos contra família Vorcaro, revela PF

Caso Master: Irmã de Sicário ameaçou expor documentos contra família Vorcaro, revela PF

Mensagens interceptadas indicam tentativas de compra de silêncio e ameaças envolvendo integrantes da organização criminosa liderada por Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal revelou que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, ameaçou divulgar documentos comprometedores contra a família Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero. A investigação aponta que aliados de Daniel Vorcaro pressionaram Joana para impedir a divulgação das informações.

Documentos da Polícia Federal, tornados públicos pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF) em 16 de junho de 2026, detalham que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, ameaçou revelar arquivos que poderiam prejudicar a família Vorcaro. Sicário, apontado como braço direito de Daniel Vorcaro, líder da organização criminosa ligada ao Banco Master, foi preso em março de 2026 durante a terceira fase da Operação Compliance Zero e faleceu dias depois, em decorrência de suicídio confirmado por laudos periciais.

Após a prisão e morte de Sicário, a investigação da PF indica que Manoel Mendes Rodrigues, o “Manolo”, braço direito de Henrique Vorcaro — pai de Daniel —, passou a atuar para garantir suporte financeiro à família Mourão, que enfrentava dificuldades. Mensagens interceptadas mostram Joana relatando dificuldades para pagar parcelas de financiamento e a prestação da casa onde reside, chegando a expressar desespero.

Em seguida, “Manolo” negociou com Keysom Moreira, primo de Joana, para tentar controlar a situação. Conversas indicam que “Manolo” sugeriu um encontro presencial em 28 de abril de 2026, no qual Joana estava acompanhada da mãe, Denise. Durante a reunião, segundo mensagens enviadas a Henrique Vorcaro, foram discutidas transferências de contratos para a mãe de Joana, com o intuito de resolver pendências financeiras.

Apesar do encontro, Joana continuou ameaçando expor documentos contra a família Vorcaro. Em 7 de maio de 2026, ela enviou a “Manolo” um link de uma publicação sobre a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel, e afirmou que pretendia expor Henrique Vorcaro, referindo-se a ele pela sigla “HV”. A mensagem dizia que, após o filho, genro e sobrinho, Henrique seria o próximo a ser alvo de denúncias públicas.

No dia 12 de maio, Joana questionou “Manolo” sobre a formalização de um contrato relacionado à sua participação societária na JM Consultoria e Participações Imobiliária Ltda., empresa com capital social de R$ 1 milhão, da qual ela é sócia-administradora. A PF investiga se essas movimentações podem estar ligadas a lavagem de dinheiro, com recursos provenientes das atividades criminosas atribuídas a Sicário e repassados à sua família.

A Operação Compliance Zero, que já contabiliza seis fases, tem como foco desarticular grupos que atuavam com ameaças, fraudes e acesso ilegal a informações sigilosas. Henrique Vorcaro foi preso na sexta fase, deflagrada em 14 de maio de 2026, acusado de coordenar ações de intimidação por meio dos grupos “A Turma” e “Os Meninos”. Entre os detidos também está o policial federal Anderson Wander da Silva Lima, suspeito de fornecer dados sigilosos para a organização criminosa.

A investigação aponta que “Manolo” exercia papel fundamental na coerção e intimidação de vítimas, utilizando sua reputação no meio da contravenção para dar credibilidade às ameaças. Os grupos ligados à família Vorcaro são suspeitos de monitorar adversários e proteger interesses financeiros por meio de práticas ilegais, incluindo invasão de sistemas e obtenção clandestina de informações.

O caso ainda está sob investigação, com apurações em andamento sobre a possível lavagem de dinheiro e outras práticas ilícitas associadas à organização criminosa liderada por Daniel Vorcaro.

Contexto

A Operação Compliance Zero é uma investigação da Polícia Federal que visa desarticular uma organização criminosa liderada por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Desde 2026, a operação tem revelado esquemas de ameaças, fraudes e uso ilegal de informações sigilosas para proteger interesses financeiros do grupo. A prisão de integrantes importantes, como Luiz Phillipi Mourão (Sicário) e Henrique Vorcaro, e a participação de agentes públicos, como policiais federais, evidenciam a complexidade e o alcance da investigação.

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