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Preço do petróleo ultrapassa US$ 111 após nova ameaça de Trump ao Irã

Preço do petróleo ultrapassa US$ 111 após nova ameaça de Trump ao Irã

Alta nos preços do petróleo reflete escalada geopolítica e incertezas nas negociações entre Washington e Teerã

O preço do petróleo Brent atingiu US$ 111,31 por barril nesta segunda-feira (18), impulsionado pela escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã, após declarações do presidente Donald Trump e um ataque a uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos.

Nesta segunda-feira (18), o mercado internacional de petróleo registrou uma forte valorização, com o barril do Brent chegando a US$ 111,31, uma alta de 1,9%. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, também avançou 2,3%, cotado a US$ 107,83 por barril. O movimento ocorre em meio a um cenário de crescente tensão geopolítica no Oriente Médio, especialmente após o presidente dos EUA, Donald Trump, emitir um alerta contundente contra o Irã. Trump declarou que o “tempo está correndo” para Teerã e que, caso o país não se mexa rapidamente, “não sobrará nada deles”. A declaração foi feita após uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aumentando o clima de apreensão no mercado energético. O Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte de petróleo, permanece em grande parte bloqueado, enquanto os Estados Unidos mantêm desde o mês anterior um bloqueio naval aos portos iranianos. A situação se agravou ainda mais com um ataque de drone contra uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos durante o fim de semana, elevando os riscos de uma escalada militar na região. Analistas de commodities do ING, Warren Patterson e Ewa Manthey, destacaram que o mercado reage não apenas às ameaças verbais, mas também à ausência de avanços concretos nas negociações para encerrar o conflito. Apesar da recente cúpula entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping em Pequim, onde ambos concordaram que o Estreito de Ormuz deve ser reaberto, ainda não está claro como a China pretende exercer sua influência sobre o Irã para ajudar na resolução do impasse. O aumento dos preços do petróleo tem repercussões globais. Bolsas de valores na Ásia fecharam em queda, com índices como o Nikkei 225 de Tóquio recuando 0,9%, o Hang Seng de Hong Kong caindo 1,6% e o índice composto de Xangai diminuindo 0,1%, influenciado também por dados fracos do varejo chinês em abril. Na Austrália, o S&P/ASX 200 registrou baixa de 1,4%. Nos Estados Unidos, os contratos futuros recuaram mais de 0,6% após o fechamento negativo dos principais índices na sexta-feira: S&P 500 (-1,2%), Dow Jones (-1,1%) e Nasdaq (-1,5%). A pressão inflacionária provocada pela alta do petróleo também elevou os rendimentos dos títulos públicos. O título de 10 anos do Tesouro americano atingiu cerca de 4,63%, valor significativamente superior ao patamar próximo de 4% antes do conflito. No Japão, os rendimentos dos títulos de 10 anos alcançaram 2,8%, o maior nível desde o final dos anos 1990, impulsionados pelas expectativas de inflação e pelo aumento gradual das taxas de juros pelo Banco do Japão. No mercado cambial, o dólar americano se valorizou frente ao iene japonês, chegando a 159,02 ienes, enquanto o euro operou em leve alta, cotado a US$ 1,1626.

Contexto

Desde o fim de fevereiro, quando começaram as tensões relacionadas à guerra envolvendo o Irã, o preço do petróleo Brent subiu significativamente, passando de cerca de US$ 70 para mais de US$ 111 por barril. O bloqueio do Estreito de Ormuz e o bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos têm sido fatores centrais na instabilidade do mercado. A recente escalada, incluindo ataques a infraestruturas estratégicas e declarações agressivas de líderes mundiais, aumentam a incerteza sobre o fornecimento global de energia e pressionam os mercados financeiros e cambiais internacionalmente.

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