URGENTE: Cai Secretário de Saúde de Rondônia: saúde estadual expõe grave crise de gestão

O desgaste do Secretário se intensificou com a tentativa de terceirizar a gestão dos principais hospitais de Porto Velho à empresa Mediall Brasil, em contrato avaliado em quase R$ 600 milhões. O processo foi considerado obscuro
O governador Marcos Rocha oficializou, por decreto publicado em 11 de março de 2026, a exoneração do coronel Jeferson Ribeiro da Rocha do comando da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). A decisão encerra uma gestão marcada por desgaste político, denúncias de falhas administrativas e investigações de órgãos de controle que corroeram a credibilidade da pasta.
A saída não foi surpresa. Desde que assumiu, Jeferson enfrentou críticas de profissionais da saúde e da população pela precariedade dos serviços e pela condução militarizada da secretaria. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) apontou em auditorias recentes que, apesar de haver recursos disponíveis, faltavam insumos básicos em hospitais do interior, como Guajará-Mirim e Cone Sul. O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) também realizou inspeções em unidades como o Hospital João Paulo II, onde relatórios técnicos indicaram riscos estruturais e falhas graves nas reformas.
O desgaste do Secretário se intensificou com a tentativa de terceirizar a gestão dos principais hospitais de Porto Velho à empresa Mediall Brasil, em contrato avaliado em quase R$ 600 milhões. O processo foi considerado obscuro e sofreu forte resistência de sindicatos, parlamentares e órgãos de controle, obrigando o governo a recuar. Além disso, operações policiais como a “Máscara de Janos”, deflagrada em janeiro de 2026, investigaram fraudes em licitações e corrupção dentro da Sesau, atingindo diretamente a cúpula da secretaria e isolando o coronel. Além disso, o Secretário não conseguiu construir um novo hospital, promessa de campanha do governador.
A única iniciativa boa para o Estado, que sequer partiu do governo, foi assumir o Hospital Regional de Vilhena, gerido pela Santa Casa de Chavantes/Grupo Chavantes, que estava em pleno funcionamento, demonstrando eficiência. Segundo analistas, essa teria sido a “tábua de salvação” para Jeferson e para o governo, já que o modelo adotado em Vilhena provou resultados muito positivos.
Na Assembleia Legislativa, deputados como Delegado Camargo e Dra. Taíssa convocaram o secretário diversas vezes para explicar o “apagão” na saúde, denunciando até a intenção do governo de reduzir o orçamento da área em 2026. A pressão política tornou sua permanência insustentável.
A exoneração foi publicada como “ajuste administrativo”, mas nos bastidores ficou claro que se tratou de uma fritura política. Até agora, Jeferson não se pronunciou. Para tentar estancar a crise, Marcos Rocha nomeou um médico de Cacoal, buscando dar perfil técnico e regionalizado à Sesau.
A queda do coronel Jeferson não é apenas uma troca de comando: é o desfecho de uma gestão marcada por falhas estruturais, suspeitas de corrupção e investigações oficiais. O desafio do novo secretário será reconstruir a credibilidade da saúde pública em Rondônia e provar que a exoneração não foi apenas um gesto político, mas o início de uma verdadeira correção de rumos para um governo conhecido pelo “dedinho podre na saúde”.

