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PESADELO: Pedágio da BR-364 inicia cobrança e expõe omissão política em Rondônia

Começa hoje a cobrança do pedágio na BR-364, no trecho entre Vilhena e Porto Velho, inaugurando um contrato de concessão que se estenderá por trinta anos. A tarifa, considerada uma das mais caras do Brasil, já provoca indignação entre motoristas e lideranças locais, que apontam para o impacto direto no custo do transporte de alimentos, combustíveis e demais produtos essenciais.

O modelo adotado, conhecido como “Free Flow”, prevê a cobrança por quilômetro rodado, mas oferece poucos serviços em contrapartida. Além de atendimento pré-hospitalar e guincho, a concessionária promete informações via aplicativo, o que é visto como insuficiente diante da relevância da rodovia para a economia regional.

A crítica mais contundente recai sobre a bancada federal de Rondônia, acusada de omissão por não ter atuado antes do leilão para discutir os termos do contrato. O resultado é um acordo que beneficia a empresa responsável pela concessão e deixa a população com o peso financeiro. Para os próximos trinta anos, Rondônia amargará tarifas elevadas sem garantias de melhorias proporcionais na infraestrutura.

O impacto da cobrança se torna ainda mais evidente quando se observa a diferença entre automóveis de passeio e caminhões. Para veículos leves, cada passagem por pórtico representa um custo que, somado em uma viagem completa entre Vilhena e Porto Velho, pode ultrapassar cinquenta reais. Já os caminhões, que têm tarifas calculadas pelo número de eixos, chegam a pagar valores muito superiores, acumulando mais de cem reais em uma única viagem. Como o transporte de cargas depende diariamente da BR-364, esse custo adicional será inevitavelmente repassado ao frete, encarecendo alimentos, combustíveis e praticamente todos os produtos que circulam no estado.

A BR-364 é a principal ligação entre o sul e o norte de Rondônia e, com o pedágio, o aumento do frete será inevitável. Esse custo adicional será repassado ao consumidor, encarecendo a vida cotidiana em Vilhena e em toda Rondônia. O início da cobrança não representa apenas uma nova etapa administrativa, mas simboliza a falta de atuação política em defesa dos interesses coletivos, que agora se traduz em três décadas de prejuízos para milhares de cidadãos que dependem diariamente da rodovia.