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Venda de vagas para emissão de RG expõe contradições na política de Rondônia, diz ativista político

A denúncia feita pelo ativista político, Alan de Souza, nas redes sociais, Veja o texto de Alan: A venda de vagas para emissão da Carteira de Identidade em Rondônia escancara um problema que vai muito além da burocracia: revela um mercado paralelo que lucra em cima da vulnerabilidade da população. Desde que o serviço deixou de ser realizado nas secretarias de assistência social — onde era demorado, mas gratuito e acessível — o agendamento passou a ser feito exclusivamente por meio de um site. O resultado foi a transformação de um direito básico em mercadoria.

Perfis nas redes sociais oferecem abertamente vagas para emissão de RG, tratam clientes como se fosse um negócio formal e chegam a reclamar de atrasos e falta de pagamento. O próprio sistema de agendamento, que libera vagas em dias e horários específicos, reforça a sensação de privilégio em vez de garantir acesso universal. Sem o documento, a vida cotidiana simplesmente não anda: mães relatam dificuldades para matricular filhos na escola, trabalhadores ficam impedidos de acessar serviços básicos e cidadãos enfrentam filas virtuais de madrugada sem conseguir avançar.

Enquanto isso, o governo de Rondônia anuncia iniciativas como o programa “Tudo Aqui” em Vilhena, vendendo a ideia de modernização e eficiência. Mas, por trás da propaganda oficial, persistem os problemas narrados por Alan: a falta de acesso real, a exploração da pobreza como nicho de mercado e a ausência de fiscalização sobre práticas que deveriam ser combatidas pelo Estado. A contradição é evidente — discute-se inovação administrativa, mas não se enfrenta o desespero de quem não consegue sequer emitir um documento essencial.

O silêncio dos políticos sobre o tema é ensurdecedor. Em vez de tratar da venda de vagas para RG, preferem pautas que rendem engajamento nas redes sociais, como debates ideológicos ou disputas internacionais. A pergunta que ecoa é simples: de que adianta discutir anistia ou guerra cultural se o trabalhador não consegue garantir o RG do filho?

A denúncia de Alan de Souza expõe o Brasil real, aquele que não aparece em discursos de palanque. Um Brasil em que segurança, dignidade e acesso a direitos básicos não são luxo, mas o mínimo. E é justamente esse mínimo que está sendo negado quando o Estado falha em garantir a emissão de um documento que deveria ser universal e gratuito.