Preço do petróleo ultrapassa US$115 após ataques no Oriente Médio e tensão global aumenta

Conflito entre Irã e Israel provoca alta nos preços do petróleo e gás natural, além de queda nas bolsas mundiais.
Os preços do petróleo Brent ultrapassaram US$115 por barril nesta quinta-feira (19), impulsionados por ataques iranianos a instalações energéticas no Oriente Médio, em retaliação a ofensivas israelenses no maior campo de gás natural do mundo, South Pars. A escalada do conflito gerou forte volatilidade nos mercados globais de energia e acionários.
Nesta quinta-feira (19), o preço do petróleo Brent atingiu o maior valor em mais de uma semana, superando a marca de US$115 por barril, após o Irã realizar ataques contra instalações de produção de combustíveis em diversos países do Oriente Médio. A ofensiva iraniana foi uma resposta direta ao ataque israelense ao campo de gás natural South Pars, localizado no Golfo Pérsico, considerado o maior do mundo. Por volta das 9h55, os contratos futuros do gás natural na Europa registraram alta de aproximadamente 19%, chegando a picos de 35% mais cedo na sessão.
Os ataques iranianos atingiram instalações no Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, onde duas refinarias da estatal de petróleo foram alvo de drones, provocando incêndios. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na noite de quarta-feira (18) que nem os EUA nem o Catar tiveram envolvimento ou conhecimento prévio das ações iranianas, e pediu que Israel evite novos ataques ao campo de South Pars.
No mercado, os contratos futuros do Brent subiram 6,58% às 7h52 (horário de Brasília), negociados a US$114,45 por barril, com pico de US$115,10 durante o dia. O petróleo WTI, referência dos Estados Unidos, avançou 1,05%, cotado a US$96,46, após alcançar US$100,02 mais cedo. O WTI opera com o maior desconto em relação ao Brent em 11 anos, reflexo da liberação de reservas estratégicas americanas e custos logísticos elevados.
Analistas apontam que a escalada no Oriente Médio pode causar interrupções prolongadas no fornecimento global de petróleo. Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova, destacou que os ataques à infraestrutura energética e a morte de líderes iranianos indicam riscos significativos para o abastecimento.
As tensões também impactaram negativamente os mercados financeiros globais. Nos Estados Unidos, os futuros do índice Dow Jones recuaram 0,38%, o S&P 500 caiu 0,45% e o Nasdaq 100 teve baixa de 0,61%. Na Europa, o FTSE 100 do Reino Unido recuou 2,40%, o DAX alemão caiu 2,41% e o francês CAC 40 teve baixa de 1,77%. Na Ásia, os índices também apresentaram quedas expressivas: Xangai caiu 1,4%, o CSI300 1,6%, Hong Kong 2% e o Nikkei do Japão despencou 3,4%.
Em resposta aos ataques, chanceleres de 12 países árabes e islâmicos se reuniram em Riad para condenar as ações iranianas contra seus territórios. O grupo, que inclui Catar, Azerbaijão, Bahrein, Egito, Jordânia, Kuwait, Líbano, Paquistão, Arábia Saudita, Síria, Turquia e Emirados Árabes Unidos, pediu a cessação imediata das ofensivas e ressaltou a necessidade de respeito ao direito internacional.
A estatal QatarEnergy reportou danos significativos após mísseis iranianos atingirem a cidade industrial de Ras Laffan, responsável pelo processamento de cerca de 20% do gás natural liquefeito consumido mundialmente. Na Arábia Saudita, um porto de petróleo no Mar Vermelho também foi alvo de bombardeios.
Os ataques revelam a capacidade do Irã de afetar operações militares dos Estados Unidos e Israel, além de expor vulnerabilidades nos sistemas de defesa aérea da região, crucial para o fornecimento energético global. Fontes indicam que o governo Trump avalia o envio de tropas adicionais ao Oriente Médio, incluindo possíveis operações terrestres para garantir a segurança do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz e proteger instalações estratégicas como a Ilha de Kharg, responsável por 90% das exportações iranianas de petróleo. Contudo, a missão apresenta riscos elevados devido à capacidade iraniana de atingir essas áreas com mísseis e drones.
Contexto
O Oriente Médio é uma região estratégica para o mercado global de energia, concentrando grandes reservas de petróleo e gás natural. O campo de South Pars, compartilhado entre Irã e Catar, é o maior do mundo em produção de gás natural. O conflito recente entre Irã e Israel intensificou a instabilidade regional, afetando diretamente o abastecimento global e provocando oscilações nos preços do petróleo e gás natural. Além disso, a tensão impacta os mercados financeiros internacionais, refletindo preocupações com a segurança energética e geopolítica.

