Joesley Batista: o elo improvável entre Trump e Lula e o poder silencioso do agro

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Nos bastidores da diplomacia informal entre Brasil e Estados Unidos, um nome voltou a circular com força: Joesley Batista. Empresário bilionário e figura central do grupo J&F, Joesley é apontado por veículos da imprensa como o responsável por articular a aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump. O encontro, ainda não confirmado oficialmente, teria sido viabilizado graças à influência que o empresário goiano mantém nos círculos políticos e econômicos dos dois países — especialmente por meio da JBS, gigante global da indústria de carnes.

Segundo fontes próximas ao governo brasileiro, a intermediação de Joesley teria sido decisiva para quebrar o gelo entre os dois líderes, cujas diferenças ideológicas sempre foram evidentes. A ponte construída por ele teria como base não apenas interesses comerciais, mas também uma estratégia de reposicionamento internacional do agronegócio brasileiro, setor que representa uma das maiores forças econômicas do país.

Essa movimentação diplomática informal se soma à atuação estratégica de Joesley no setor de comunicação voltado ao agro. À frente do grupo J&F, ao lado do irmão Wesley Batista, ele comanda o Canal Rural — principal emissora brasileira especializada em conteúdo agropecuário — que em 2024 somou mais de 500 milhões de visualizações em suas plataformas digitais, consolidando sua relevância no segmento.

Fundado em 1996 por Roberto Marinho (Globo) e Nelson Sirotsky (RBS), o Canal Rural foi adquirido pelos irmãos Batista em 2013, como parte da estratégia de fortalecer a comunicação do setor em que mais atuam: a produção de proteína animal. A JBS, principal empresa do grupo, é considerada a maior do mundo no segmento, dona de marcas como Friboi, Seara e Swift.

Nos Estados Unidos, a JBS também detém uma fatia expressiva do mercado de carnes e tem ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York. Essa presença no país abriu portas para que Joesley Batista fosse recebido por Trump na Casa Branca, encontro que, segundo bastidores políticos, teria contribuído para aliviar a tensão entre o ex-presidente americano e o atual mandatário brasileiro.

Com uma fortuna estimada em R$ 25 bilhões pela revista Forbes, o empresário goiano é casado com Ticiana Villas Boas, ex-apresentadora da Band e do SBT. Atualmente, ela se dedica à produção de cacau na Bahia. Juntos, formam um dos casais mais influentes do agronegócio nacional.

Mas nem só de influência e negócios bilionários se constrói a trajetória dos irmãos Batista. Em 2017, Joesley protagonizou um dos maiores escândalos da história política brasileira ao gravar uma conversa com o então presidente Michel Temer, revelando um esquema de corrupção que envolvia pagamento de propinas e obstrução da Justiça. O episódio levou à abertura de inquéritos, à queda de ministros e à prisão temporária dos próprios irmãos Batista, que chegaram a ser acusados de manipulação de mercado e uso de informações privilegiadas.

O acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República garantiu a Joesley e Wesley benefícios judiciais, mas também os colocou sob intensa vigilância pública. Desde então, os empresários têm mantido perfil mais discreto, embora continuem influentes nos bastidores do poder e do agronegócio.

FONTE: ASSESSORIA REVISTA REFLEXO POLITICO