Entre Privilégios e Realidades: O Auxílio Alimentação dos Vereadores e os Salários base do Servidor Público Municipal de Vilhena
Por: Paulo Mendes
Enquanto muitos servidores municipais de Vilhena cumprem jornadas diárias essenciais para manter os serviços públicos funcionando — da coleta de lixo ao atendimento em escolas e postos de saúde — uma disparidade salta aos olhos: o auxílio alimentação de um vereador pode superar o salário base mensal desses trabalhadores.
Em Vilhena, vereadores passam a receber R$ 1.400 mensais apenas em auxílio alimentação, valor que, por si só, ultrapassa o salário base de inúmeros servidores municipais, que giram entre R$ 1.200 e R$ 1.600. Para quem depende exclusivamente desse salário, cada centavo precisa ser cuidadosamente administrado para cobrir alimentação, transporte, aluguel e outras necessidades básicas.
Vários servidores, revoltados com o benefício próprio dos vereadores, enviaram holerites à redação da Revista Reflexo Politico, para revelar seus salários base. Muitos deles trabalham a mais de uma década com o mesmo salário base e acham que a medida dos vereadores é uma afronta a quem trabalha duro oito horas por dia, sem qualquer regalia e com um auxilio alimentação de 500 reais.
A questão que surge não é apenas econômica, mas, principalmente moral. O auxílio tem como objetivo compensar gastos com alimentação — um benefício justificado quando há real necessidade. No entanto, ao ser destinado a parlamentares que já ganham dez mil reais, bem superiores à média da população, a medida pode ser vista como um símbolo de distanciamento entre representantes e representados.
“É como se o sistema dissesse que o trabalho do servidor da limpeza ou da saúde vale menos do que o almoço de um político”, comenta uma servidora que preferiu não se identificar.
Enquanto o debate continua, os servidores seguem trabalhando, muitos com salários que mal cobrem o básico, enquanto assistem há distorções salariais que, no mínimo, merecem ser discutidas com transparência e senso de justiça.
Um Abaixo Assinado com 3500 assinaturas será entregue aos vereadores na próxima sessão ordinária, dia 01 de julho, para requerer que o projeto seja colocado em pauta novamente para ser revogado. É o que a população de Vilhena espera. Os coordenadores do Abaixo Assinado convidam a todos para que marquem presença na Câmara de Vereadores para a entrega oficial do documento ao presidente do Legislativo.

