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Disputa familiar pode marcar eleições de 2026 em Rondônia: Melki e Rosangela Donadon devem disputar a mesma vaga na Assembleia Legislativa

Toda essa expectativa tem ainda um ingrediente que pode ser decisivo: Melki ainda responde a vários processos na justiça

Um cenário inédito na política de Rondônia pode se desenhar para as eleições de 2026. O tradicional clã Donadon, que há quase quatro décadas ocupa espaço de destaque no Cone Sul e na Assembleia Legislativa, pode ter dois de seus membros disputando diretamente uma vaga no mesmo cargo, revelando um racha interno.

De um lado está o ex-prefeito de Vilhena e Colorado do Oeste, Melki Donadon, que após anos impedido de concorrer por problemas na Justiça, articula seu retorno político como pré-candidato a deputado estadual. Do outro, a deputada Rosangela Donadon, cunhada de Melki e esposa do ex-deputado Marcos Donadon, deve buscar o quarto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa de Rondônia.

A eventual disputa entre cunhados seria a primeira vez em que membros tão próximos da família se enfrentariam em uma eleição. O episódio mais parecido ocorreu em 2014, quando Júnior Donadon, primo de Melki, concorreu a deputado federal contra Raquel Donadon, lançada pelo ex-prefeito. Nenhum dos dois foi eleito, mas juntos somaram votos suficientes para que um deles tivesse chegado ao Congresso Nacional.

Naquele mesmo pleito, Rosangela Donadon conquistou seu primeiro mandato de deputada estadual, ocupando o espaço deixado pelo marido, Marcos Donadon, que exerceu cinco mandatos consecutivos, mas foi impedido de concorrer em razão de decisões judiciais.

Fontes ligadas à política regional afirmam que a divisão familiar ganhou força após as eleições municipais de 2024. Na ocasião, Raquel Donadon, sob orientação política de Melki, concorreu à Prefeitura de Vilhena, mas não teria recebido o apoio esperado da cunhada Rosangela. O momento coincidiu com uma tragédia pessoal: a morte repentina de um filho da deputada, ocorrida pouco antes da campanha, o que limitou sua participação no processo eleitoral. Ainda assim, segundo interlocutores, ficou no ar um ressentimento político.

O possível confronto coloca em jogo um fator importante. Melki Donadon tenta superar o histórico de problemas judiciais, que pode ser explorado por adversários. Ele ainda responde a vários processos na justiça e, segundo fontes ligadas ao ex-prefeito, teria sido condenado mais uma vez, agora em março deste ano pelo Tribunal de Justiça de Rondônia e estaria inelegível até 2033, o que inviabilizaria uma nova candidatura. Por outro lado, Rosangela chega com três mandatos consecutivos, marcada por uma atuação permanente, discreta e sem polêmicas.

Outro ponto a ser observado será o posicionamento da própria família, que nunca havia se dividido tão diretamente em uma eleição. Além disso, caberá aos tradicionais apoiadores do grupo, que historicamente caminharam com Melki e Rosangela, decidir qual lado apoiar em 2026 — um desafio que pode redefinir a força do clã Donadon no cenário político de Rondônia.

FONTE: REVISTA REFLEXO POLITICO