Mundo

Conflito no Oriente Médio: Líderes do Irã mortos em ataques de EUA e Israel desde o início da guerra

Ofensivas aéreas eliminaram figuras-chave da liderança iraniana, incluindo ministros e conselheiros próximos ao aiatolá Ali Khamenei

Desde o início da guerra no Oriente Médio, ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel têm resultado na morte de importantes líderes iranianos, abalando o núcleo do poder em Teerã. Entre as vítimas recentes estão o ministro da Inteligência Esmail Khatib e o chefe do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani, reforçando a escalada do conflito que já dura 19 dias.

Na última quarta-feira, 18 de outubro, um ataque aéreo israelense tirou a vida de Esmail Khatib, ministro da Inteligência do Irã, conforme confirmado pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian. A morte de Khatib aconteceu um dia após outro ataque que resultou no falecimento de Ali Larijani, líder de fato do país e chefe do Conselho de Segurança Nacional. O presidente Pezeshkian qualificou o episódio como um “assassinato covarde” e declarou que o país está de luto.

O funeral de Ali Larijani, realizado em Teerã no mesmo dia, reuniu uma multidão expressiva. Imagens da mídia estatal mostraram o caixão coberto pela bandeira iraniana, cercado por manifestantes que entoavam gritos contra os Estados Unidos e Israel.

Ali Larijani, membro de uma das famílias mais influentes do Irã e filho do aiatolá Mirza Hashem Amoli, ocupou diversos cargos estratégicos ao longo da carreira, incluindo a presidência do Parlamento entre 2008 e 2020 e a chefia da Organização de Rádio e Televisão do Irã. Como secretário do Conselho de Segurança Nacional, ele desempenhava papel central na coordenação das políticas de defesa e inteligência, além de supervisionar forças paramilitares. Larijani era reconhecido por seu perfil pragmático e por ser um aliado próximo do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.

Além de Larijani e Khatib, outros nomes de destaque da liderança iraniana foram eliminados desde o início do conflito. Entre eles está o general Gholamreza Soleimani, ex-chefe da Força Basij da Guarda Revolucionária, morto no ataque de 16 de outubro, que também vitimou Larijani. Soleimani era alvo de sanções internacionais por sua atuação na repressão a dissidentes.

Outro líder importante, Ali Shamkhani, ex-secretário do Conselho de Segurança e conselheiro de Khamenei, foi morto em ataques conjuntos dos EUA e Israel em 28 de fevereiro. Shamkhani já havia sobrevivido a um atentado anterior contra sua residência durante os confrontos de junho do ano passado.

Mohammad Pakpour, ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, também perdeu a vida nos ataques de fevereiro, conforme divulgado pela mídia estatal iraniana. Aziz Nasirzadeh, ex-ministro da Defesa durante o governo de Masoud Pezeshkian, foi outra vítima da mesma onda de ofensivas.

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã já dura 19 dias e tem causado um número significativo de vítimas. Autoridades locais informam que pelo menos 1.300 pessoas morreram no Irã, mais de 900 no Líbano e 14 em Israel. As forças armadas americanas confirmaram a morte de 13 militares e cerca de 200 feridos durante as operações.

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã desde 1989, permanece no comando do país, exercendo amplos poderes e mantendo uma postura rígida contra qualquer forma de dissidência. Desde a Revolução Islâmica, Khamenei tem sido o guardião da república islâmica, resistindo a pressões internas e externas e preparando sucessores para garantir a continuidade do regime.

A escalada dos ataques contra a liderança iraniana representa um esforço estratégico dos Estados Unidos e Israel para desestabilizar o comando do país, que tem apoiado grupos aliados na região e resistido às pressões internacionais. O impacto dessas perdas no comando iraniano ainda será avaliado, mas indicam um momento de alta tensão e incertezas no cenário do Oriente Médio.

Contexto

O conflito atual no Oriente Médio envolve uma série de confrontos entre Estados Unidos, Israel e Irã, com ataques aéreos e operações militares que têm como alvo a liderança iraniana e suas forças paramilitares. Desde o início da guerra, em outubro de 2024, a estratégia dos EUA e Israel tem sido eliminar figuras-chave do governo iraniano para enfraquecer sua influência regional. O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo desde 1989, mantém o controle político e religioso do país, mas a sucessão e a estabilidade do regime são questões sensíveis diante das perdas recentes. O conflito já provocou milhares de mortes e amplia a instabilidade na região, envolvendo também o Líbano e Israel em uma escalada preocupante.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *