Com trecho de pedágio entre Vilhena e Porto Velho consolidado, é a vez de Vilhena a Cuiabá “bater o martelo”.

Foto: Josué Santos
Serão 880km de concessão entre os estados de Rondônia e Mato Grosso, considerados estratégicos na exportação de produtos do agro brasileiro
Após a consolidação da concessão do trecho entre Vilhena (RO) e Porto Velho (RO), que gerou muita discussão e revolta na população de Rondônia, especialmente depois das “audiências públicas” realizadas em Ji Paraná e Vilhena para “fazer de conta” que ainda há possibilidade de reverter a situação, o foco agora se volta para a privatização do segmento que liga Vilhena a Cuiabá (MT), conhecido como Lote CN 3. Essa parte da BR-364 é estratégica para o Centro-Oeste, pois conecta a região à hidrovia do rio Madeira, essencial para o escoamento de grãos pelos portos de Porto Velho.
Com a aprovação do Relatório Final da Audiência Pública nº 12/2021, encerra-se a fase de consulta popular e inicia-se a etapa final para viabilizar a concessão de aproximadamente 880 km da rodovia entre Vilhena e a capital mato-grossense. Batizado de Rota Agro Central, o projeto é considerado um dos mais relevantes para a infraestrutura logística nacional. A relatoria ficou a cargo do diretor da ANTT, Lucas Asfor.
Segundo o documento aprovado, a administração privada da Rota Agro Central trará avanços técnicos, maior segurança viária, melhorias no transporte da produção agrícola e valorização da malha rodoviária que atende o Norte e o Centro-Oeste do país.
“Esse projeto é resultado de um trabalho técnico minucioso e de uma escuta ativa da sociedade. Ele foi aperfeiçoado com base nas demandas reais dos usuários, o que nos dá confiança de que estamos no caminho certo”, afirmou Lucas Asfor.
A ANTT segue firme em sua missão de transformar a realidade das rodovias federais da região Centro-Norte. Desde o início do processo, a agência priorizou a transparência e a participação da sociedade. A audiência pública contou com mais de 110 contribuições válidas, vindas de cidadãos, entidades e representantes locais, todas analisadas pela equipe técnica.
Essas contribuições foram incorporadas aos documentos do projeto, como o edital, o contrato, o Programa de Exploração da Rodovia (PER) e os Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental — pilares fundamentais para garantir a viabilidade e a sustentabilidade da concessão.
Com extensão de 887,6 km e previsão de investimentos superiores a R$ 10 bilhões, o trecho abrange partes das BRs 070, 174 e 364. A concessão integra um esforço conjunto da ANTT e do Ministério dos Transportes para modernizar a infraestrutura, atrair capital privado e oferecer mais segurança e eficiência para motoristas, moradores, produtores e turistas.
As sessões presenciais da audiência ocorreram em Brasília, Cuiabá, Vilhena e Porto Velho, evidenciando a abrangência regional da proposta. Entre as melhorias previstas estão a inclusão de contornos urbanos, travessias em áreas críticas, revisão da matriz de riscos e ajustes na modelagem econômico-financeira, com foco em tarifas equilibradas e operação eficiente.
Com a deliberação da Diretoria Colegiada, o Plano de Outorga segue agora para o Ministério dos Transportes, etapa final antes da publicação oficial do edital de concessão.

