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Absurdo: Político do RJ, Cabo Daciolo, transfere título para Rondônia e visa o Senado

O ex-deputado federal e ex-candidato à Presidência, Cabo Daciolo, conhecido nacionalmente, transferiu seu título eleitoral do Rio de Janeiro para Rondônia e sinaliza uma possível candidatura ao Senado Federal nas eleições de 2026. A mudança, que pode reconfigurar o cenário político local, levanta um debate sobre o oportunismo político e a importância da identificação regional na representação do estado.

A situação em Rondônia reflete um movimento político nacional: um candidato sem histórico prévio no estado, sem profundo conhecimento dos problemas regionais e sem laços com a população local, se apresenta para disputar um cargo que exige dedicação aos interesses do estado.

A possível candidatura de Daciolo, cuja projeção decorre de sua atuação em outros estados, notadamente o Rio de Janeiro, coloca em xeque a eficácia da representação de Rondônia no Congresso. Críticos da manobra questionam como um senador eleito nessas condições poderia defender as pautas e resolver os problemas específicos do estado, como as questões ambientais, as demandas da agricultura familiar e os desafios de infraestrutura.

O episódio levanta um alerta sobre a responsabilidade de dirigentes partidários rondonienses que endossam a ideia e do próprio eleitorado ao considerar o voto em um político sem histórico de compromisso com a região.

A candidatura de figuras públicas de fora do estado não é incomum em Rondônia, especialmente por sua posição estratégica na região Norte e por ser um estado jovem, com população migrante e cenário político em constante renovação. Um dos casos mais lembrados é o do cantor Dalvan, famoso pela dupla Duduca & Dalvan, que se lançou como candidato a deputado federal por Rondônia em 2014, fazendo apenas 1.014 vergonhosos votos. Embora não tenha sido eleito, sua candidatura chamou atenção por unir notoriedade artística à tentativa de atuação política regional.

A situação em Rondônia não é isolada. O cenário é comparado a outros movimentos políticos onde figuras públicas buscam vagas em estados com os quais não mantêm vínculos diretos, como a especulação de que Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e também radicado no Rio de Janeiro, possa se candidatar ao Senado por Santa Catarina. Estes casos ampliam o debate sobre a prioridade do eleitor em escolher representantes que verdadeiramente conheçam a realidade de seus estados.

Em Rondônia, o perfil do eleitorado, que tem cerca de 42% de evangélicos, pode favorecer a candidatura de Daciolo, cuja retórica pública está fortemente associada à fé.

Apesar disso, a chegada de um nome de fora reacende a discussão entre os rondonienses: dar crédito a uma figura de projeção nacional ou consolidar lideranças locais com base no desempenho e na representatividade. Outros nomes já articulados para a disputa incluem o Senador Marcos Rogério (PL), o Deputado Estadual Rodrigo Camargo, a Deputada Federal Sílvia Cristina e o empresário Bruno Scheid.