Operação Compliance Zero avança no combate à corrupção no sistema financeiro com bloqueio de R$ 22 bilhões

Ministério da Justiça e Polícia Federal intensificam ações contra 'magnatas do crime' envolvidos em fraudes financeiras e corrupção no Banco Master.
A Operação Compliance Zero, conduzida pelo Ministério da Justiça e Polícia Federal, avançou nesta quinta-feira (16) com a deflagração da quarta fase, que mira gestores públicos e empresários envolvidos em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro no sistema financeiro brasileiro, bloqueando até R$ 22 bilhões em bens.
Em coletiva realizada no Palácio da Justiça, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) detalhou os resultados da nova etapa da Operação Compliance Zero, que teve início em novembro de 2025. A ação investiga um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo altos executivos e agentes públicos ligados ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB).
A Polícia Federal cumpriu dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão nas cidades de Brasília (DF) e São Paulo (SP), autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os detidos está o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acusado de receber propina estimada em R$ 146,5 milhões em conluio com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Também foi preso o advogado Daniel Monteiro, apontado como testa de ferro de Costa, que teria recebido R$ 86,1 milhões de forma ilegal.
O diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad, explicou que esta fase representa um aprofundamento das investigações, focando na corrupção de gestores públicos e na lavagem de dinheiro decorrente das operações financeiras fraudulentas. “Trata-se de uma operação complexa, com múltiplas fases e fatos distintos”, afirmou Murad, ressaltando que parte das informações permanece sob sigilo para preservar a investigação.
A operação tem como objetivo principal a asfixia financeira das organizações criminosas que utilizam empresas formais para lavagem de dinheiro, especialmente no setor bancário. O ministro da Justiça, Wellington Lima, reforçou que a divulgação dos dados respeita rigorosamente os limites legais e que o compromisso do governo é com a transparência e a institucionalidade.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens dos envolvidos, visando interromper as atividades ilícitas e garantir a recuperação dos ativos desviados. Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, corrupção e lavagem de dinheiro.
A operação Compliance Zero foi estruturada em quatro fases desde sua deflagração. A primeira, em novembro de 2025, focou nas fraudes envolvendo títulos de crédito falsos negociados entre instituições financeiras, resultando em 25 mandados de busca, sete prisões e bloqueio de R$ 1,3 bilhão. A segunda fase, em janeiro de 2026, aprofundou a investigação das fraudes estruturais, com 42 mandados de busca, uma prisão e bloqueio de cerca de R$ 6 bilhões.
Em março de 2026, a terceira fase concentrou-se na corrupção de agentes públicos e obstrução da justiça, com quatro prisões e afastamento de servidores do Banco Central. A atual quarta fase amplia o foco para lavagem de dinheiro e corrupção dos gestores envolvidos.
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, destacou que a estratégia do governo é atacar o “andar de cima” do crime organizado, buscando desmantelar as lideranças financeiras das organizações criminosas. “Essa é uma guerra que vamos vencer”, afirmou, alinhando-se ao compromisso do presidente da República com o combate ao crime.
Participaram da coletiva também o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Dennis Cali, e outros representantes da Polícia Federal. As autoridades reforçaram que novas fases da operação são possíveis, conforme o avanço das investigações, e que todas as ações respeitam a autonomia e os limites legais.
Contexto
A Operação Compliance Zero foi iniciada em novembro de 2025 para combater fraudes contra o sistema financeiro nacional, especialmente envolvendo a emissão e negociação de títulos de crédito falsos. As investigações começaram em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, e revelaram que o Banco Master criou carteiras de crédito sem lastro, vendidas ao Banco de Brasília e substituídas por ativos sem avaliação técnica adequada, mesmo após fiscalização do Banco Central. O modelo de combate adotado pela operação está alinhado às propostas da PEC da Segurança Pública, que visa intensificar a repressão ao crime organizado por meio da asfixia financeira dos líderes criminosos. A PEC já foi aprovada na Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado.

