Alexandre Ramagem é preso pelo ICE nos EUA após condenação por tentativa de golpe no Brasil

Ex-policial federal e político, Ramagem fugiu do país após sentença de 16 anos por envolvimento em trama golpista contra o STF.
O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) prendeu Alexandre Ramagem, ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em Orlando, na Flórida. Ramagem está foragido da Justiça brasileira desde sua condenação a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, e aguarda os trâmites para extradição ao Brasil.
Alexandre Ramagem, ex-deputado federal pelo PL-RJ e ex-diretor da Abin, foi detido pelo ICE em Orlando, nos Estados Unidos, conforme confirmado pela Polícia Federal (PF). A prisão ocorreu por volta do meio-dia (horário de Brasília) e teve como base questões migratórias, já que Ramagem estava em situação irregular no país norte-americano. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ressaltou que a captura é resultado da cooperação internacional entre Brasil e EUA no combate ao crime organizado, destacando que Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira. Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por integrar o núcleo central de uma tentativa de golpe de Estado que visava manter Jair Bolsonaro no poder. Investigação da PF revelou que o ex-policial federal deixou o Brasil clandestinamente em setembro de 2025, cruzando a fronteira de Roraima com a Guiana para evitar a prisão, seguindo posteriormente para os Estados Unidos. Em dezembro de 2025, a Embaixada do Brasil em Washington encaminhou ao Departamento de Estado dos EUA o pedido formal de extradição, que foi informado ao STF em janeiro de 2026. O ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol, o que facilitou sua detenção em território estrangeiro. Durante seu período no exterior, Ramagem sofreu sanções políticas e administrativas no Brasil: teve seu mandato de deputado federal cassado pela Câmara dos Deputados em 18 de dezembro de 2025, perdeu o passaporte diplomático e teve seus vencimentos parlamentares bloqueados por determinação do STF. Ramagem é delegado da Polícia Federal desde 2005 e ganhou notoriedade ao chefiar a segurança do então candidato Jair Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora, em 2018. Na gestão Bolsonaro, foi nomeado diretor da Abin, cargo em que sua administração foi investigada por suposto uso ilegal da estrutura para monitoramento político, no episódio conhecido como “Abin Paralela”. Em 2020, sua nomeação para Diretor-Geral da Polícia Federal foi barrada pelo STF devido à sua proximidade com a família do presidente. Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com cerca de 59 mil votos, e em 2024 disputou a Prefeitura do Rio, ficando em segundo lugar. Aliados de Ramagem afirmavam que ele pretendia solicitar asilo político nos EUA, mas a detenção pelo ICE e o pedido de extradição indicam que o retorno ao Brasil está em andamento.
Contexto
A prisão de Alexandre Ramagem ocorre em um momento de intensa cooperação entre Brasil e Estados Unidos para combater crimes transnacionais e garantir o cumprimento das decisões judiciais brasileiras. Sua condenação por tentativa de golpe de Estado representa um marco no enfrentamento de ameaças à democracia no país. O caso também destaca os desafios do sistema de justiça brasileiro em lidar com fugas internacionais e a importância da atuação conjunta com órgãos internacionais, como a Interpol e o ICE. Ramagem, que teve papel central na segurança do ex-presidente Jair Bolsonaro e na direção da Abin, figura em investigações que envolvem o uso indevido de órgãos públicos para fins políticos, o que reforça o caráter complexo e sensível do processo judicial.

