Em vídeo:Melki Donadon afirma que Vilhena abriga a maior bacia de petróleo e gás do mundo

O ex-prefeito de Vilhena, Melki Donadon, publicou um vídeo que chamou atenção ao declarar que a região do Cone Sul de Rondônia, incluindo municípios como Colorado, Pimenta Bueno, Cerejeiras, Vilhena, Comodoro, Sapezal e Campos de Júlio, seria a maior bacia de petróleo e gás natural do mundo, com cerca de 350 mil quilômetros quadrados, capaz de abastecer o planeta inteiro. Em sua fala, Donadon relembra que em 1992, quando era prefeito de Colorado, foram perfurados os primeiros poços de pesquisa na região e, desde então, o Brasil estaria diante de um “gigante adormecido” que precisa despertar para “aproveitar essa oportunidade”.
A declaração, carregada de entusiasmo e patriotismo, levanta especulações sobre o momento político em que foi feita. Em período pré-eleitoral, não é incomum que lideranças locais recorram a narrativas grandiosas para mobilizar o imaginário popular e se recolocar no debate público. A ideia de que Rondônia poderia se tornar epicentro mundial de petróleo e gás é, sem dúvida, impactante, mas carece de respaldo científico. Pesquisas geológicas já identificaram potenciais reservas em áreas da Amazônia e do Centro-Oeste, mas não há estudos que confirmem a existência de uma bacia de tal magnitude, muito menos com capacidade de abastecer o planeta inteiro.
A fala de Melki Donadon, ao afirmar que Vilhena abriga a maior bacia de petróleo e gás natural do mundo, lembra em essência o tipo de discurso que Ivo Cassol fez ao sugerir, em plena pandemia, que a solda elétrica poderia curar a Covid-19. Ambos apostam em narrativas grandiosas, quase messiânicas, que misturam entusiasmo político e uma crença pessoal em soluções milagrosas. No caso de Donadon, o “gigante adormecido” do petróleo soa tão improvável quanto a ideia de que um arco elétrico pudesse derrotar um vírus. São falas que, mais do que informar, parecem buscar visibilidade e impacto popular, especialmente em períodos de efervescência política. A diferença é que, enquanto Cassol flertava com o absurdo científico, Donadon veste o manto do desenvolvimentismo regional — mas ambos se apoiam na mesma lógica: a de que o discurso espetacular ainda é uma poderosa ferramenta de autopromoção.
O vídeo mistura memória pessoal, retórica política e uma dose de especulação. Se por um lado desperta curiosidade e até esperança em alguns, por outro exige cautela e análise crítica. Transformar a região em polo mundial de petróleo não depende apenas de discursos inflamados, mas de comprovação técnica, investimentos pesados e políticas públicas consistentes. Até lá, a fala de Donadon parece mais uma tentativa de se promover e ganhar visibilidade no cenário político local do que uma revelação geológica capaz de mudar o destino do Brasil. A menos que tenhamos em Vilhena um novo Nostradamus.
Veja o video na íntegra: https://www.facebook.com/share/v/1BDGRcSp9H/

