Governadores que renunciaram em 2026 para disputar eleições: saiba quem são e seus destinos políticos

Renúncia é obrigatória para evitar uso da máquina pública; maioria dos ex-governadores mira vagas no Senado nas eleições de outubro.
Onze dos 27 governadores brasileiros abriram mão de seus mandatos até o último dia 4 de abril para disputar as eleições de outubro de 2026, atendendo à exigência legal de desincompatibilização. A maioria busca vagas no Senado, enquanto dois já confirmaram pré-candidaturas à Presidência da República.
O prazo para desincompatibilização dos governadores que pretendem disputar as eleições de 2026 terminou em 4 de abril, e onze chefes de Executivo estadual renunciaram para concorrer a cargos eletivos. Entre eles, Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) se lançaram como pré-candidatos à Presidência da República. Os demais oito governadores pretendem disputar cadeiras no Senado Federal, que terá 54 das 81 vagas renovadas neste pleito. São eles: Antonio Denarium (Republicanos-RR), Cláudio Castro (PL-RJ), Ibaneis Rocha (MDB-DF), Gladson Cameli (PP-AC), Helder Barbalho (MDB-PA), João Azevêdo (PSB-PB), Mauro Mendes (União Brasil-MT) e Renato Casagrande (PSB-ES). Wilson Lima (União Brasil-AM), que inicialmente não cogitava candidatura, também renunciou no último dia do prazo. Embora ainda não tenha anunciado o cargo que disputará, a tendência é que concorra ao Senado. A eleição para o Senado é estratégica, pois além de legislar, os senadores têm papel fundamental na aprovação de indicações para órgãos como o Supremo Tribunal Federal (STF), Procuradoria-Geral da República (PGR) e Banco Central, além de julgar processos de impeachment contra o presidente da República e ministros do STF. A legislação eleitoral exige que governadores, prefeitos, ministros e secretários deixem seus cargos para evitar o uso da máquina pública em benefício próprio durante a campanha, salvo quando buscam reeleição. Caso desistam da candidatura ou sejam derrotados, não podem retornar ao cargo, pois a renúncia é definitiva. Após a saída dos governadores, os vice-governadores assumem os mandatos e podem disputar a reeleição. No Rio de Janeiro, a situação é distinta: Cláudio Castro renunciou, mas estava sem vice após a nomeação de seu antigo vice para o Tribunal de Contas do Estado. Assim, haverá uma eleição suplementar para mandato-tampão, cuja forma (direta ou indireta) será decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Castro enfrenta ainda uma condenação por abuso de poder nas eleições de 2022, o que o torna inelegível, mas ele recorre e pretende concorrer sub judice. No Amazonas, o vice-governador Tadeu de Souza também renunciou, e o presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade, assumiu o governo. Além dos governadores, dez prefeitos de capitais também renunciaram para disputar as eleições. A oficialização das candidaturas ocorrerá em agosto, após as convenções partidárias e o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Contexto
A legislação eleitoral brasileira determina que governadores e prefeitos que desejam concorrer a cargos diferentes de reeleição devem renunciar até três meses antes do pleito para evitar o uso da máquina pública em benefício próprio. Em 2026, o prazo terminou em 4 de abril. As eleições de outubro renovam 54 das 81 cadeiras do Senado, tornando a disputa estratégica para o equilíbrio político no país. A decisão de renunciar é definitiva, e o vice-governador assume o cargo até o final do mandato. Em alguns estados, como o Rio de Janeiro, situações específicas geram eleições suplementares para escolha do novo governador. O cenário político também é marcado por processos judiciais que podem influenciar a elegibilidade dos candidatos.

