Demissões no Samu de Mato Grosso geram críticas e preocupações sobre atendimento à população

Parlamentar cobra diálogo e reforça importância dos servidores para garantir atendimento eficaz no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência
O deputado estadual Wilson Santos (PSD) manifestou forte oposição às recentes demissões de 56 servidores do Samu em Mato Grosso, destacando os riscos que a redução do quadro pode trazer para o atendimento emergencial à população, especialmente nas regiões de Cuiabá e Várzea Grande.
Durante sessão plenária realizada em 1º de junho na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), o deputado Wilson Santos criticou a decisão da Secretaria de Estado de Saúde (SES) de desligar mais de 50 profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O parlamentar enfatizou a relevância dos trabalhadores do Samu, responsáveis por salvar vidas diariamente, e alertou que a diminuição do efetivo pode comprometer a qualidade e a agilidade do atendimento emergencial, resultando em atrasos e até na ausência de assistência em situações críticas.
Conforme dados apresentados, o Samu conta atualmente com aproximadamente 180 servidores, a maioria contratada temporariamente por meio de processo seletivo. Entre os desligados estão 10 condutores socorristas, 22 enfermeiros e 24 técnicos de enfermagem, totalizando 56 profissionais. Essa redução pode impactar diretamente o funcionamento do serviço, inclusive provocando o fechamento de unidades, especialmente nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.
Wilson Santos ressaltou que cerca de 15% das pessoas atendidas pelo Samu têm suas vidas salvas graças à eficiência do serviço, que envolve procedimentos técnicos essenciais desde a imobilização até o transporte adequado para as unidades hospitalares. Ele também lembrou que o Samu, criado há décadas em âmbito nacional, já enfrentou situações similares e que a solução deve passar pela integração dos profissionais com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), e não pela substituição dos servidores.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde afirmou que as demissões não devem prejudicar os atendimentos. A SES destacou que, desde a integração do Samu com o Corpo de Bombeiros, prevista para 2025, houve um aumento de 30% no número de ocorrências atendidas e uma redução de 36% no tempo médio de resposta às chamadas.
O deputado também relembrou o papel fundamental dos profissionais do Samu durante a pandemia de Covid-19, período em que muitos servidores da saúde, incluindo enfermeiros, técnicos, motoristas, médicos e socorristas, perderam a vida no exercício do trabalho. “Esses servidores foram considerados heróis e hoje não recebem o devido reconhecimento do governo”, afirmou.
Wilson Santos alertou para as consequências da medida para a população: “Não é aceitável que o cidadão pague por esse desentendimento político. A paralisação, ainda que parcial, de um serviço essencial coloca vidas em risco e pode deixar pessoas sem atendimento emergencial.”
Diante da repercussão, o presidente da ALMT, Max Russi (Podemos), anunciou que a Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social realizará uma reunião na próxima terça-feira (7), às 9h, para debater a situação do Samu. O encontro deverá contar com a participação de representantes do governo estadual, com o objetivo de buscar soluções para o impasse e garantir a continuidade do serviço à população.
Contexto
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é uma política pública nacional criada para garantir atendimento rápido e qualificado em casos de urgência e emergência. Em Mato Grosso, o Samu conta com cerca de 180 servidores, a maioria contratada temporariamente. Recentemente, a Secretaria de Estado de Saúde promoveu a demissão de 56 profissionais, o que gerou preocupação entre parlamentares e a sociedade quanto à manutenção da qualidade e da cobertura do serviço. A integração do Samu com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso está prevista para 2025, com a expectativa de otimizar o atendimento. O tema ganhou destaque no Legislativo estadual, que busca mediar o conflito e evitar prejuízos à população.

