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Contador é preso por acesso ilegal a dados fiscais de parentes de autoridades após ordem de Alexandre de Moraes

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Operação da Polícia Federal investiga vazamento de informações fiscais protegidas por sigilo funcional envolvendo parentes de ministros do Supremo.

O contador Washington Travassos de Azevedo foi detido em 14 de março de 2026, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por suspeita de acessar ilegalmente dados fiscais de 1.819 contribuintes, entre eles parentes de ministros, parlamentares e empresários.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou a prisão do contador Washington Travassos de Azevedo, acusado de integrar uma organização criminosa que obteve ilegalmente dados fiscais sigilosos de familiares de autoridades brasileiras. A detenção ocorreu no dia 14 de março de 2026, após pedido da Polícia Federal, apoiado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com informações oficiais, Washington Travassos teria acessado informações fiscais de 1.819 contribuintes, incluindo parentes de ministros do STF, deputados, senadores e empresários. A prisão foi realizada para garantir a ordem pública e assegurar o andamento das investigações, conforme explicou o ministro Moraes.

Relatórios indicam que o contador admitiu ter obtido os dados de forma irregular, atuando como intermediário entre interessados nos documentos e terceiros que ofereciam o serviço ilegal. Entre os dados obtidos estariam informações fiscais da advogada Viviane de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, que recentemente esteve no centro de uma controvérsia envolvendo um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro, atualmente preso por fraude financeira e em negociação de delação premiada.

Em fevereiro de 2026, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, no âmbito da investigação sobre o vazamento de dados sigilosos relacionados a ministros do STF e seus familiares. A Receita Federal já havia identificado a quebra do sigilo fiscal da esposa do ministro Moraes.

Especialistas em direito criminal, como Alexandre Wunderlich, fundador do escritório Alexandre Wunderlich Advogados, afirmam que a prisão preventiva está tecnicamente justificada diante da gravidade do crime e da necessidade de preservar a investigação. Segundo ele, o sigilo fiscal é protegido por lei, e sua violação clandestina configura crime grave. A decisão do STF levou em consideração o foro privilegiado dos envolvidos e o parecer favorável da PGR.

O caso reforça a preocupação com a segurança das informações fiscais de autoridades públicas e seus familiares, além de evidenciar a atuação de grupos organizados para obtenção ilegal de dados sigilosos. O andamento das investigações pode revelar novas conexões e responsabilidades dentro dessa rede criminosa.

Contexto

O episódio ocorre em meio a um cenário de crescente atenção às práticas de vazamento e uso indevido de informações fiscais no Brasil. Recentemente, investigações têm focado em proteger dados sigilosos de autoridades e familiares, especialmente após casos que envolveram contratos milionários e suspeitas de corrupção. A atuação do STF e da Polícia Federal demonstra o esforço institucional para coibir crimes contra a privacidade e a integridade fiscal, reforçando o papel do sistema judicial na proteção dos direitos e da ordem pública.

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