Irã tem dia decisivo com reunião nuclear com os EUA e possível decisão de Trump sobre ataque
Delegações se reúnem em Genebra nesta quinta (26), em terceira rodada de negociações que visam limitar o programa nuclear iraniano. Imprensa norte-americana diz que EUA podem lançar ataque limitado ao Irã nos próximos dias.
Segundo o site g1: O Irã deve ter um dia decisivo nesta quinta-feira (26), com mais uma rodada de negociações nucleares com autoridades dos Estados Unidos. Segundo o jornal britânico “The Guardian”, o presidente Donald Trump deve decidir sobre um possível ataque ao país com base no resultado do encontro.
Contexto: A reunião desta quinta, em Genebra, na Suíça, será a terceira em menos de um mês na tentativa de fechar um acordo que limite ou encerre o programa nuclear iraniano. O encontro começou por volta das 6h15, no horário de Brasília.
- Os EUA querem que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio, por temerem que o país busque construir uma bomba nuclear.
- O governo iraniano afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados à produção de energia.
- Segundo a imprensa americana, os EUA também querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio a grupos armados no Oriente Médio.
- O Irã defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e diz estar disposto a reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim de sanções.
A última reunião entre os dois países ocorreu em 17 de fevereiro, também em Genebra. Na ocasião, a delegação iraniana afirmou que houve progresso. A Casa Branca disse que o encontro representou “certo avanço”.
Para a reunião desta quinta, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou ver chances de um bom resultado. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, disse que um acordo pode ser fechado, desde que a diplomacia seja priorizada.
Já o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira (25) que espera uma reunião produtiva. Por outro lado, declarou que o governo iraniano terá “um grande problema” se resistir a discutir o alcance dos mísseis.
Em meio às tensões, o Irã voltou a registrar protestos de estudantes nos últimos dias. O governo advertiu os manifestantes para que não ultrapassem os “limites”. Em janeiro, uma onda de protestos deixou milhares de mortos após forte repressão das forças de segurança iranianas.
- Os EUA querem que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio, por temerem que o país busque construir uma bomba nuclear.
- O governo iraniano afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados à produção de energia.
- Segundo a imprensa americana, os EUA também querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio a grupos armados no Oriente Médio.
- O Irã defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e diz estar disposto a reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim de sanções.
Ataque no radar
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Donald Trump e aiatolá Ali Khamenei — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / VARIOUS SOURCES / AFP
O jornal The Guardian publicou na segunda-feira (23) que Trump deve tomar uma decisão final sobre um ataque ao Irã com base na avaliação dos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner após a reunião desta quinta com autoridades iranianas.
Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que Trump disse a assessores que considera ataques limitados para pressionar o Irã. O presidente também avalia uma campanha mais ampla, com o objetivo de derrubar o governo do aiatolá Ali Khamenei.
Já a CBS News informou que Trump tem demonstrado frustração com a limitação das opções militares disponíveis neste momento. Segundo a imprensa americana, o general Daniel Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, alertou o presidente para uma série de riscos.
- Fontes ouvidas pelo The Washington Post disseram que os EUA podem enfrentar dificuldades devido ao estoque limitado de munição.
- O arsenal estaria reduzido por causa do apoio americano aos conflitos envolvendo Israel e Ucrânia, segundo a reportagem.
- O jornal afirmou ainda que Caine está preocupado com o risco de mortes de americanos, além de uma guerra generalizada.
- Trump nega as informações.
O The New York Times informou que Trump considera um ataque mais limitado já nos próximos dias, caso avalie que as negociações não avançaram. Um bombardeio mais amplo, com o objetivo de derrubar Khamenei, ocorreria apenas nos próximos meses, se a pressão inicial não surtir efeito.
O Irã prometeu uma resposta “feroz” a qualquer tipo de ataque dos EUA, mesmo que seja limitado. O governo já indicou que pode atingir bases militares americanas no Oriente Médio.
“Não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, na segunda-feira.
Ameaça pública
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O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o discurso do Estado da União no plenário da Câmara do Capitólio dos Estados Unidos — Foto: Kevin Lamarque/Reuters
Na terça-feira, Trump voltou a adotar um tom de ameaça contra o Irã durante o discurso do Estado da União no Congresso dos EUA. Ele relembrou os ataques realizados em junho de 2025 e afirmou que, na ocasião, as forças americanas destruíram um programa de armas nucleares iraniano.
- Segundo o presidente, o Irã foi avisado para não retomar o programa. Ainda assim, declarou que o país “voltou a perseguir ambições nucleares”.
- Trump também disse que o governo iraniano busca desenvolver mísseis capazes de atingir os Estados Unidos.
- O norte-americano afirmou ainda que não permitirá que “o maior patrocinador do terrorismo no mundo” tenha uma arma nuclear.
- Em resposta, o Irã classificou as acusações como “grandes mentiras” e acusou o governo Trump de promover uma “campanha de desinformação”.
Essa não foi a primeira vez que Trump ameaçou o Irã. Desde janeiro, o presidente afirma que pode optar por uma saída militar caso a diplomacia fracasse.
Na semana passada, o presidente sugeriu ter dado até 15 dias ao governo iraniano para avançar em um acordo. O prazo termina na primeira semana de março.
“Talvez tenhamos que dar um passo além. Ou talvez consigamos fechar um acordo. Vocês vão descobrir”, afirmou em 19 de fevereiro.
Movimentações militares
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O porta-aviões USS Abraham Lincoln transitando pelo Estreito de Ormuz em 2019 — Foto: Zachary Pearson/U.S. Navy via AP
Diante da crise, em janeiro, Trump ordenou o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio. Segundo o presidente, o objetivo era monitorar Teerã “de perto”. Antes, o navio participava de manobras no Mar do Sul da China.
Nas últimas semanas, os EUA enviaram um segundo porta-aviões para a região. O USS Gerald R. Ford, que havia auxiliado na operação que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, deixou o Caribe com destino ao Oriente Médio.
- As forças enviadas se somaram a navios de guerra e às bases militares já mantidas pelos EUA na região.
- Ao todo, os norte-americanos controlam ao menos 10 bases em países vizinhos ao Irã e mantêm tropas em outras nove.
Imagens de satélite também registraram movimentações em bases militares dos EUA no Oriente Médio, com reforço aéreo e posicionamento de mísseis. Há ainda relatos do envio de aeronaves para a Europa e Israel.
Enquanto isso, o Irã anunciou exercícios militares conjuntos com Rússia e China no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico. A Guarda Revolucionária também realizou manobras, inclusive no Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte da produção mundial de petróleo.
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Infográfico mostra cerco militar dos EUA ao Irã — Foto: Editoria de Arte/g1
Escalada de tensões
Não é de hoje que Irã e Estados Unidos vivem relações tensas. Os países acumulam desavenças desde 1979, quando a Revolução Islâmica implantou o regime dos aiatolás, que dura até hoje.
De lá para cá, os dois países trocaram uma série de hostilidades, com os EUA apostando em sanções econômicas e embargos comerciais para pressionar o Irã, principalmente para evitar que o país desenvolva armas e apoie grupos armados no Oriente Médio.
- Durante o governo de Barack Obama, as relações tiveram certa estabilização, o que contribuiu para o acordo histórico de 2015, que limitava o programa nuclear iraniano.
- Dois anos depois, no entanto, Trump retirou os EUA do tratado, ao afirmar que o Irã continuava em uma corrida armamentista e retomou sanções econômicas.
- No início de 2020, os dois países viveram uma grande crise após o governo Trump lançar uma operação que resultou na morte do general Qassem Soleimani, principal figura da estratégia militar iraniana e muito próximo do líder supremo.
- No ano passado, os EUA lançaram um ataque ao Irã em apoio a Israel para destruir instalações nucleares iranianas. O bombardeio resultou em um contra-ataque limitado contra uma base americana na região e em um acordo de cessar-fogo.
As tensões voltaram a crescer no início de janeiro deste ano, quando o Irã enfrentou com violência uma onda de protestos contra o governo Khamenei. Milhares de pessoas morreram durante a repressão. À época, Trump ameaçou uma nova ação militar.
Com o enfraquecimento dos atos, motivado pela repressão do governo, o presidente norte-americano passou a focar no programa nuclear iraniano para manter as ameaças. Mesmo com os dois países voltando à mesa de negociações, a troca de declarações hostis continuou.
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Iranianos queimam bandeira dos EUA em manifestação em apoio a ataque do Irã a Israel — Foto: Majid Asgaripour/WANA via REUTERS
FONTE: Wesley Bischoff, g1 — São Paulo

