Projeto cria delegacias especializadas para buscar pessoas desaparecidas

O Senado poderá votar a criação de delegacias especializadas na busca de pessoas sumidas (PL 5.952/2025). O autor do projeto, senador Flávio Arns (PSB-PR), diz que a ideia é reforçar a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas com medidas como registro imediato das ocorrências, sem exigência de tempo mínimo para iniciar as buscas, além de atendimento psicológico às famílias e a divulgação ampliada de informações em meios físicos e digitais, como redes sociais, espaços públicos e até frotas de ônibus.
A tia de Vanderleia de Oliveira sumiu em 1996. Desde então, a família convive com a incerteza e a falta de respostas. (Vanderleia de Oliveira) “Minha tia, Santinha Norberto, desapareceu há mais de 30 anos. E assim, na época, eles procuravam muito ela, mas só que não encontraram. Então, ela tem uma irmã, né, que é minha mãe, Maria Oliveira Norberto, e o irmão também, que chama Jerônimo Norberto. E ela morava em Piacatuba. (Henrique Nascimento) “E você chegou em Brasília, você continuou procurando por ela, sua família continuou nessa procura, como é que foi?” (Vanderleia de Oliveia) “Eu procurei muito ela nas redes sociais, perguntei pra alguém… com o mesmo nome também. Queria muito encontrar ela”.
Histórias como a da Vanderleia motivaram a apresentação de um projeto no Senado para criar delegacias especializadas na busca de pessoas desaparecidas. O autor, senador Flávio Arns, do PSB do Paraná, explicou que a iniciativa é na verdade do grupo Mães do Paraná, formado por mulheres cujos filhos desapareceram. Ele explicou que a proposta modifica a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, em vigor desde 2019. ( senador Flávio Arns) “Quatro alterações são apresentadas. A criação de delegacias especializadas na busca de pessoas desaparecidas, o boletim de ocorrência que pode ser registrado a qualquer tempo, sendo proibida a imposição de prazo mínimo de horas desde o desaparecimento, a garantia de atendimento psicológico à família e a divulgação de dados básicos das pessoas desaparecidas nos meios de comunicação”.
Quase três décadas depois do desaparecimento da tia, Vanderleia diz que a dor permanece, mas acredita que iniciativas como essa podem evitar que outras famílias passem tantos anos sem apoio e sem resposta. (Vanderleia de Oliveira) “Seria muito bom e é uma grande chance de eu poder encontrar ela, né? Porque é uma lembrança muito boa, né? Que eu vou ter também. E é uma pessoa que é irmã da minha mãe. E seria muito bom também para encontrar outras pessoas também que estão desaparecidas. Então, pode ser muito bom”.
O projeto que cria delegacias especializadas na busca de desaparecidos ainda vai passar pelas comissões do Senado. Com a supervisão de Hérica Christian, da Rádio Senado, Henrique Nascimento.
FONTE: SENADO –Henrique Nascimento

