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PF mira deputado Félix Mendonça em nova fase da Operação Overclean

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (13) a nona fase da Operação Overclean, que tem como alvo o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA). A investigação apura a existência de uma organização criminosa responsável por desviar recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e convênios, além de indícios de corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo informações da corporação, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar, incluindo imóveis em Brasília e em cidades da Bahia, como Salvador, Mata de São João e Vera Cruz. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após o avanço das diligências e a coleta de novos elementos em fases anteriores da operação.

A ação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal, que auxiliaram na análise de documentos e movimentações financeiras. De acordo com os investigadores, o esquema teria direcionado recursos públicos para empresas e indivíduos ligados a administrações municipais e ao próprio círculo político do deputado.

Félix Mendonça Júnior já havia sido alvo da Overclean em junho de 2025, quando a quarta fase da operação atingiu também assessores e prefeitos baianos. Na ocasião, o parlamentar negou qualquer envolvimento em irregularidades.

Natural de Itabuna, no sul da Bahia, Mendonça Júnior exerce mandato na Câmara dos Deputados desde 2010. Ao longo de sua trajetória, ocupou cargos de liderança na bancada do PDT e presidiu a Comissão de Cultura.

A Polícia Federal afirma que a nova etapa da operação busca desarticular o núcleo político do esquema, considerado estratégico para a manutenção das práticas ilícitas.

Félix Mendonça Júnior exerce mandato na Câmara dos Deputados desde 2010 e já havia sido citado em fases anteriores da mesma operação.

Operação contra Félix Mendonça expõe fragilidade no uso das emendas parlamentares

A nova fase da Operação Overclean, que tem como alvo o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), reacende um debate antigo e incômodo: até que ponto o sistema de emendas parlamentares, criado para atender demandas locais e fortalecer a representatividade, tem se transformado em terreno fértil para desvios e corrupção?

A Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar, com apoio da CGU e da Receita Federal. As investigações apontam para suspeitas de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, práticas que, se confirmadas, corroem não apenas os cofres públicos, mas também a confiança da sociedade nas instituições.

O caso de Félix Mendonça não é isolado. Emendas parlamentares, especialmente as chamadas “emendas de relator”, têm sido alvo constante de críticas por falta de transparência e fiscalização. Quando surgem denúncias de que parlamentares direcionam recursos para beneficiar aliados políticos ou até negócios próprios, a percepção pública é de que o Congresso legisla em causa própria, em vez de servir ao interesse coletivo.

Mais do que um episódio policial, a operação expõe a necessidade urgente de repensar os mecanismos de controle sobre as emendas. Sem transparência efetiva e punição exemplar, o risco é de que cada novo escândalo reforce a ideia de que a política brasileira está aprisionada em um ciclo de privilégios e desvios.

A sociedade, já marcada por descrença e desconfiança, vê nesses casos a confirmação de que o sistema político precisa de reformas profundas. O desafio é transformar as emendas em instrumentos legítimos de desenvolvimento regional, e não em atalhos para enriquecimento ilícito.

FONTE: ASSESSORIA- REVISTA REFLEXO POLITICO