Pedágio na BR‑364 começa com aumento antecipado e gera críticas em Rondônia

A cobrança de pedágio na BR‑364 em Rondônia está marcada para começar no dia 10 de janeiro e já nasce cercada de polêmica. Antes mesmo de os sete pórticos eletrônicos entrarem em funcionamento, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou um reajuste de 9,55% nas tarifas, o que significa que os rondonienses pagarão mais caro por um serviço que ainda não foi corretamente implementado. O modelo adotado será o chamado free flow, em que não existem praças físicas de pedágio e a cobrança é feita por meio de equipamentos eletrônicos instalados ao longo da rodovia.
O anúncio gerou surpresa e indignação entre motoristas e entidades representativas, que apontam para a falta de debate público sobre os impactos econômicos e sociais da medida. A BR‑364 é o único eixo de integração de Rondônia com o Acre, Amazonas e países como o Perú, responsável pelo escoamento da produção agrícola e pecuária, e qualquer aumento nos custos logísticos tende a repercutir diretamente no preço dos alimentos e no custo de vida da população.
O senador Jaime Bagatolli afirmou “correu atrás”, que acompanhou de perto todo o processo e que tanto ele quanto os demais deputados e senadores da bancada de Rondônia tinham conhecimento da tabela de preços e das condições estabelecidas no leilão da rodovia. Segundo o parlamentar, não houve surpresa entre os representantes políticos, mas sim entre a população, que agora se vê diante de um contrato de concessão de 30 anos firmado sem participação popular efetiva. Para críticos, o acordo foi imposto “goela abaixo” aos rondonienses, sem audiências públicas amplas ou espaço para contestação.
Além da questão do aumento antecipado, há dúvidas sobre a qualidade do serviço que será prestado. Os pórticos ainda estão em fase inicial de operação e não há clareza sobre como será feita a fiscalização, a manutenção da rodovia e a transparência na aplicação dos recursos arrecadados. A ANTT defende que o modelo representa um avanço tecnológico e que trará maior fluidez ao tráfego, mas especialistas alertam que a falta de diálogo com a sociedade compromete a legitimidade do processo.
Outro aspecto que tem gerado debate é o impacto do novo sistema sobre o mercado de trabalho. Como o modelo de pedágio adotado é totalmente eletrônico, sem praças físicas e sem a necessidade de funcionários para operar cabines, Rondônia deixa de criar algumas dezenas de empregos diretos que poderiam beneficiar trabalhadores locais. Por outro lado, defensores do sistema argumentam que a tecnologia ao menos evita filas e perda de tempo para os motoristas, garantindo maior fluidez no tráfego da BR‑364.
Com a cobrança prestes a começar, Rondônia se prepara para enfrentar três décadas de contrato com a concessionária Nova 364, em um cenário que já nasce marcado por desconfiança e contestação. O pedágio, que deveria simbolizar modernização e melhoria da infraestrutura, chega ao estado como um peso adicional para motoristas e empresas, reforçando a sensação de que a população foi excluída das decisões que impactam diretamente seu cotidiano.
Ficarão isentos da cobrança de pedágio, motocicletas, ambulâncias, veículos oficiais e diplomáticos. Os locais de instalação dos pórticos serão: Candeias do Jamari, Cujubim, Ariquemes, Ouro Preto do Oeste, Presidente Médici e Pimenta Bueno (em dois trechos).
Veja a tabela de preços já com o aumento:

FONTE: Revista Reflexo Político
Foto: Nova 364

