Situação de Bolsonaro após aprovação do PL da Dosimetria e os impactos para os réus do 8 de janeiro
“Pelo PL, criminosos comuns ficam de fora do benefício”

REVISTA REFLEXO POLÍTICO: A aprovação pelo Senado Federal, em 10 de dezembro de 2025, do chamado PL da Dosimetria trouxe repercussões diretas para o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A pena inclui 5 anos e 11 meses em regime fechado, antes da progressão ao semiaberto.
Com a nova regra, se consagrada, que reduz de 25% para 16% o tempo mínimo de cumprimento da pena em regime fechado, Bolsonaro terá sua condenação recalculada para 22 anos e 1 mês, e o período em regime fechado cairia para 3 anos e 3 meses. Isso significa que, em vez de deixar o regime fechado apenas em 2032, o ex-presidente poderá migrar para o semiaberto já em 2029, quase três anos antes do previsto originalmente.
Atualmente, Bolsonaro cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, em uma sala adaptada para sua detenção. Seu estado de saúde tem sido motivo de preocupação: perícia da Polícia Federal identificou uma hérnia inguinal bilateral, que exige cirurgia eletiva “o mais rápido possível”. Além disso, ele enfrenta crises de soluço recorrentes, consequência da facada sofrida em 2018. A defesa pediu prisão domiciliar humanitária, alegando fragilidade física, mas o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido, autorizando apenas a realização da cirurgia em hospital de Brasília.
A medida não se restringe a Bolsonaro. Outros aliados também serão beneficiados. O deputado federal Alexandre Ramagem, condenado a cerca de 20 anos de prisão, teria sua pena reduzida para aproximadamente 16 anos, com progressão ao semiaberto após pouco mais de 3 anos em regime fechado. Generais como Walter Braga Netto e Augusto Heleno, cujas penas giram em torno de 15 anos, verão suas condenações recalculadas para cerca de 12 anos, com o regime fechado limitado a aproximadamente 2 anos e meio.
O projeto, no entanto, não contempla os chamados “criminosos comuns”. Quem cumpre pena por crimes como roubo, tráfico ou homicídio continua sujeito às regras tradicionais da Lei de Execução Penal, que exigem o cumprimento de 25% da pena em regime fechado para progressão. Essa exclusão reforça a percepção de que o PL da Dosimetria foi concebido sob medida para beneficiar apenas os envolvidos nos ataques às instituições democráticas.
Críticos apontam que a medida representa uma espécie de “anistia disfarçada”, criando um regime especial apenas para os réus do 8 de janeiro e ferindo o princípio da igualdade. Juristas e entidades da sociedade civil destacam que a proposta transmite a mensagem de que determinados grupos políticos podem obter benefícios exclusivos. Além disso, muitos críticos ressaltaram os excessos nas penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal, argumentando que condenações de até 27 anos foram desproporcionais diante das condutas praticadas. Para esses setores, o PL da Dosimetria seria uma forma de corrigir tais exageros e trazer maior equilíbrio ao sistema punitivo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já sinalizou que pretende vetar o projeto, alegando que não é papel do Legislativo rever decisões judiciais nem criar privilégios para crimes que atentaram contra a democracia. Caso o veto seja confirmado, caberá ao Congresso decidir se o mantém ou se o derruba, em votação que exigirá maioria absoluta. Paralelamente, mesmo que sancionado, o texto poderá ser questionado no Supremo Tribunal Federal, que já se manifestou em diversas ocasiões sobre a gravidade dos atos de 8 de janeiro e a necessidade de punição exemplar.
O futuro do projeto ainda é incerto, mas o que já está claro é que a aprovação pelo Senado mexeu diretamente com o destino de Jair Bolsonaro e de seus principais aliados, reacendendo um debate profundo sobre justiça, igualdade, proporcionalidade das penas e os limites da política na definição das sanções.
Situação de Jair Bolsonaro após aprovação do PL da Dosimetria e os impactos para os réus do 8 de janeiro
REVISTA REFLEXO POLÍTICO: A aprovação pelo Senado Federal, em 10 de dezembro de 2025, do chamado PL da Dosimetria trouxe repercussões diretas para o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A pena inclui 5 anos e 11 meses em regime fechado, antes da progressão ao semiaberto.
Com a nova regra, que reduz de 25% para 16% o tempo mínimo de cumprimento da pena em regime fechado, Bolsonaro teria sua condenação recalculada para 22 anos e 1 mês, e o período em regime fechado cairia para 3 anos e 3 meses. Isso significa que, em vez de deixar o regime fechado apenas em 2032, o ex-presidente poderia migrar para o semiaberto já em 2029, quase três anos antes do previsto originalmente.
Atualmente, Bolsonaro cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, em uma sala adaptada para sua detenção. Seu estado de saúde tem sido motivo de preocupação: perícia da Polícia Federal identificou uma hérnia inguinal bilateral, que exige cirurgia eletiva “o mais rápido possível”. Além disso, ele enfrenta crises de soluço recorrentes, consequência da facada sofrida em 2018. A defesa pediu prisão domiciliar humanitária, alegando fragilidade física, mas o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido, autorizando apenas a realização da cirurgia em hospital de Brasília.
A medida não se restringe a Bolsonaro. Outros aliados também seriam beneficiados. O deputado federal Alexandre Ramagem, condenado a cerca de 20 anos de prisão, teria sua pena reduzida para aproximadamente 16 anos, com progressão ao semiaberto após pouco mais de 3 anos em regime fechado. Generais como Walter Braga Netto e Augusto Heleno, cujas penas giram em torno de 15 anos, veriam suas condenações recalculadas para cerca de 12 anos, com o regime fechado limitado a aproximadamente 2 anos e meio.
O projeto, no entanto, não contempla os chamados “criminosos comuns”. Quem cumpre pena por crimes como roubo, tráfico ou homicídio continua sujeito às regras tradicionais da Lei de Execução Penal, que exigem o cumprimento de 25% da pena em regime fechado para progressão. Essa exclusão reforça a percepção de que o PL da Dosimetria foi concebido sob medida para beneficiar apenas os envolvidos nos ataques às instituições democráticas.
Críticos apontam que a medida representa uma espécie de “anistia disfarçada”, criando um regime especial apenas para os réus do 8 de janeiro e ferindo o princípio da igualdade. Juristas e entidades da sociedade civil destacam que a proposta transmite a mensagem de que determinados grupos políticos podem obter benefícios exclusivos. Além disso, muitos críticos ressaltaram os excessos nas penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal, argumentando que condenações de até 27 anos foram desproporcionais diante das condutas praticadas. Para esses setores, o PL da Dosimetria seria uma forma de corrigir tais exageros e trazer maior equilíbrio ao sistema punitivo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já sinalizou que pretende vetar o projeto, alegando que não é papel do Legislativo rever decisões judiciais nem criar privilégios para crimes que atentaram contra a democracia. Caso o veto seja confirmado, caberá ao Congresso decidir se o mantém ou se o derruba, em votação que exigirá maioria absoluta. Paralelamente, mesmo que sancionado, o texto poderá ser questionado no Supremo Tribunal Federal, que já se manifestou em diversas ocasiões sobre a gravidade dos atos de 8 de janeiro e a necessidade de punição exemplar.
O futuro do projeto ainda é incerto, mas o que já está claro é que a aprovação pelo Senado mexeu diretamente com o destino de Jair Bolsonaro e de seus principais aliados, reacendendo um debate profundo sobre justiça, igualdade, proporcionalidade das penas e os limites da política na definição das sanções.
FONTE: REDAÇÃO

