Revolta em Rondônia: aumento de tarifas e denúncia de perdão bilionário à Energisa

Rondônia enfrenta uma onda de indignação popular após a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovar reajustes de até 18,49% nas tarifas de energia elétrica. O aumento, que entrou em vigor em 13 de dezembro, pesa diretamente no bolso das famílias e ameaça a sobrevivência de pequenos negócios, ao mesmo tempo em que surge uma denúncia contra o governo estadual.
Segundo o deputado federal Rafael Fera, o governador Marcos Rocha estaria articulando o perdão de uma dívida bilionária da concessionária Energisa com o Estado. Em vídeo que viralizou nas redes sociais, Fera classificou a medida como “covardia” e acusou o governo de favorecer a multinacional em detrimento da população. “Rondônia produz energia para mais de 30 milhões de brasileiros e nós ficamos com a conta para pagar. Esse governador covarde tenta anistiar uma dívida de mais de dois bilhões de reais”, disparou o parlamentar.
A dívida em questão remonta à antiga Ceron, incorporada pela Energisa, e gira entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões. Desde 2019, projetos como o PL 446/19 e o PL 482/20 já haviam tentado conceder anistia fiscal, com descontos de até 95% em juros e multas de ICMS. Críticos afirmam que tais medidas beneficiariam diretamente a concessionária, enquanto os cofres públicos deixariam de arrecadar recursos que poderiam ser destinados a hospitais e escolas.
O impacto do reajuste é imediato: residências tiveram aumento de 14,64%, consumidores de baixa tensão 15,01% e indústrias 18,49%. Para empresários locais, o acréscimo representa risco de falência e desemprego em massa. A revolta se intensifica diante da contradição: Rondônia, que abriga as usinas de Santo Antônio e Jirau e é considerada potência energética nacional, convive com uma das tarifas mais caras do país.
Em resposta, Rafael Fera protocolou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para tentar sustar os efeitos do aumento. Ele acusa o governo estadual de “lesa-pátria” por não se posicionar contra a decisão da ANEEL e por insistir em propostas de perdão fiscal à Energisa.
A pergunta que ecoa entre lideranças e cidadãos é direta: por que o rigor da cobrança recai sobre o trabalhador comum, enquanto empresas bilionárias recebem benevolência e tapete vermelho? A insatisfação cresce e, como dizem os manifestantes, o povo de Rondônia não pretende pagar essa conta calado.
FONTE: REDAÇÃO
TAGS- GOVERNO

