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FEDEU: confinamento do Grupo Bagatolli e frigoríficos foram citados em relatórios sobre mau cheiro em Vilhena

Friboi é alvo de denúncias populares há muitos anos, mas, confinamento é a primeira vez que é citado em relatório da Sedam

Na noite de terça-feira (5), o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, usou suas redes sociais para anunciar que novidades importantes sobre o mau cheiro que há anos incomoda a população vilhenense seriam reveladas em breve. A publicação gerou grande expectativa, já que o problema é recorrente e a sociedade aguardava uma resposta concreta sobre o incômodo ambiental que afeta diversos bairros da cidade.

Cumprindo o prometido, Flori publicou nesta quarta-feira (6) uma nova mensagem informando que recebeu oficialmente uma equipe da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), que confirmou a conclusão da investigação técnica sobre os odores. O prefeito também liberou o acesso público ao relatório elaborado pelo órgão estadual, afirmando: “Li o material e entendi que tudo ali é público. Então vou liberar aqui para a cidade ter conhecimento do que está ocorrendo.”

O documento, resultado de meses de apuração, apresenta uma análise técnica detalhada de diversos empreendimentos, incluindo os frigoríficos JBS e FrigoVilhena. Embora o relatório não atribua responsabilidade direta às empresas pela origem dos odores, ele aponta que ambas possuem estruturas e sistemas que, em determinadas condições, podem contribuir para a emissão de gases com odor forte.

No caso da JBS, a Sedam observou que o sistema de tratamento de efluentes pode operar com eficiência reduzida em períodos de alta produção, o que favorece a liberação de compostos odoríferos. Já o FrigoVilhena apresenta lagoas de contenção próximas a áreas residenciais, com odor característico nas imediações, o que levanta preocupação sobre o impacto potencial na qualidade do ar.

Importante destacar que nas páginas 39 e 40 do relatório, a Sedam adota uma postura técnica e cautelosa, evitando conclusões categóricas. Em vez de responsabilizar diretamente os frigoríficos, o órgão aponta condições observadas que podem contribuir para o problema, recomendando melhorias estruturais e operacionais.

Além dos frigoríficos, o relatório também menciona os confinamentos rurais localizados no entorno da cidade, com destaque para o empreendimento de propriedade do senador Jaime Bagattoli. Segundo o trecho técnico, “não é possível afirmar se o mau cheiro advém de algum dos empreendimentos verificados, pois foram realizadas vistorias e não se verificou nenhuma atividade ou situação que pudesse estar causando o mau cheiro.” A observação reforça a complexidade do problema e a necessidade de investigação contínua.

A investigação envolveu visitas técnicas, análises laboratoriais e entrevistas com moradores das áreas mais afetadas. Os ventos predominantes na região foram citados como fator agravante, espalhando os odores especialmente nos períodos da manhã e fim da tarde.

Entre as recomendações da Sedam estão a readequação dos sistemas de tratamento, o isolamento das lagoas de resíduos e a intensificação da fiscalização ambiental. A ausência de ações corretivas por parte dos empreendimentos e a falta de fiscalização contínua foram citadas como elementos que podem agravar o problema.

O Ministério Público, que já acompanha o caso, deve avaliar as conclusões do relatório para decidir sobre eventuais medidas legais. A liberação do documento pelo prefeito foi vista como um gesto de respeito à população, que há anos cobra respostas e soluções.