Ivo Cassol: entre lampejos de coerência e surtos de egocentrismo político

O ex-governador Ivo Cassol, – narciso de sobrenome — parece viver em um eterno “reality show” político, onde o roteiro mistura lampejos de lucidez com episódios dignos de vergonha alheia. Cassol, que historicamente é considerado um bom governador e senador, já foi capaz de levantar bandeiras legítimas, como a defesa do uso medicinal da cannabis para pacientes com câncer, contribuindo para o avanço da pauta no país. Mas esse mesmo homem que se mostrou preocupado com pacientes terminais, também protagonizou um dos momentos mais bizarros da pandemia: gravou um vídeo usando uma solda elétrica como suposto tratamento contra a Covid-19.
Sim, você leu certo. Solda elétrica. Segundo ele, a luz emitida pelo equipamento teria propriedades curativas. Sem qualquer respaldo científico, Cassol testou a “técnica” em um funcionário infectado, como se fosse um xamã do improviso. O episódio viralizou e virou motivo de chacota nacional, mas ele jurou que “não era brincadeira” e foi até para o Fantástico. Se a estratégia era mídia, deu certo, só que negativa.
Apesar dos episódios hilários protagonizados por Cassol, não se engane. Se pudesse ser candidato em 2026, a probabilidade de ser eleito seria muito alta. Tanto que os concorrentes analisam as perspectivas com Cassol dentro e com ele fora da disputa. Seria o fiel da balança.
Agora, impedido de disputar a eleição de 2026 pela Lei da Ficha Limpa, Cassol parece ter encontrado uma nova estratégia: lançar sua filha Juliana Cassol como candidata ao governo de Rondônia. A jovem, que nunca ocupou cargo público, é conhecida por seu perfil de digital influencer, onde compartilha moda, viagens e lifestyle – que quer dizer “estilo de vida” e se refere ao conjunto de hábitos, comportamentos, valores e preferências de uma pessoa ou grupo – com seus mais de 50 mil seguidores. A imagem da “patricinha” nas redes sociais contrasta com a seriedade exigida para comandar um estado com desafios profundos em saúde, segurança e infraestrutura.
A jogada é clara: Juliana é a vitrine, Cassol ficaria no comando. Nos bastidores, ele articula alianças, busca nomes fortes da capital para compor a chapa e tenta manter sua influência viva enquanto aguarda uma possível reabilitação política. Embora a inelegibilidade de Cassol esteja em vigor, há interpretações jurídicas que indicam que ele poderia voltar a ocupar cargos não eletivos — como secretário ou assessor — caso sua situação se regularize durante o mandato da filha. Ou seja, mesmo fora das urnas, ele pode estar mirando uma cadeira no governo.
O histórico familiar reforça essa tendência que vem se intensificando em Rondônia. Cada vez mais, alguns políticos tentam emplacar familiares para criarem ou fortalecerem seus clãs. A esposa, Ivone, já concorreu ao Senado; a irmã, Jaqueline, foi candidata ao governo; e o ex-vice, João Cahulla, também foi lançado por Cassol. O clã político se movimenta como uma empresa familiar, onde o sobrenome vale mais que currículo.
Mas vale lembrar: apesar de ser considerado um fenômeno de votos, é também o dono do maior “dedo podre” político da história de Rondônia. Não conseguiu sequer reeleger a irmã na cidade de Santa Luzia do Oeste.
A possível candidatura de Juliana pode até parecer uma tentativa de renovação, mas soa mais como uma extensão do ego de Cassol — um homem que já tentou curar vírus com solda e agora quer emplacar a filha como se fosse algo normal. Mas deve ser só mais uma brincadeira sem graça dele.
FONTE: REDAÇÃO REVISTA REFLEXO POLITICO

