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Corte na mídia institucional em Rondônia gera crise, denúncias e investigações no setor de comunicação

A comunicação institucional do Governo de Rondônia atravessa uma crise marcada por cortes de contratos, denúncias e forte disputa entre veículos de imprensa. Mais de 40 sites de notícias da capital e do interior tiveram seus repasses suspensos, enquanto os recursos passaram a ser direcionados, em grande parte, para redes de rádios do estado.


A medida foi adotada pelos novos secretários de Comunicação, Renan Fernandes e Chico Holanda, nomeados há cerca de um mês pelo governador Marcos Rocha (União Brasil). Desde então, o setor enfrenta acusações de favorecimento, vazamentos de planos de mídia e uma onda de representações encaminhadas ao Ministério Público de Rondônia (MPRO).


Levantamentos apontam que, no mês passado, os gestores autorizaram Pedidos de Inserção (PIs) que somaram mais de R$ 51 mil para sites de notícias, além de quase R$ 700 mil destinados à TV Rondônia. Já em setembro, os maiores valores se concentraram em rádios.


A divulgação antecipada do plano de mídia gerou ainda mais desgaste: em agosto, as informações circularam em apenas um dia em grupos de WhatsApp, enquanto em setembro levaram três dias para vir a público. O episódio expôs a falta de critérios claros na distribuição dos recursos e aprofundou o mal-estar entre empresários da comunicação.


O MPRO já recebeu representações formais sobre suposto direcionamento de verbas públicas. Fontes ligadas ao setor afirmam que a crise pode levar à suspensão da mídia institucional não apenas pelo Governo de Rondônia, mas também pela Assembleia Legislativa, Detran e Prefeitura de Porto Velho, onde também existem questionamentos sobre contratos de publicidade.


As relações entre governos e veículos de imprensa em Rondônia são historicamente controversas. Durante a gestão do ex-governador Valdir Raupp, houve um grande escândalo que culminou na prisão de jornalistas, do então secretário de Comunicação e em uma série de processos contra veículos de mídia. Esses episódios contribuíram para uma quebra de confiança por parte da população quanto à credibilidade do material institucional divulgado pelo poder público.
Outra preocupação levantada por empresários do setor é a possível criação de sites voltados exclusivamente para faturar com contratos governamentais. Há suspeitas de que alguns empresários sejam proprietários de múltiplos portais de comunicação, abastecidos quase que integralmente com conteúdo produzido por assessorias oficiais, sem foco jornalístico real.


Com a repercussão negativa, o governador Marcos Rocha enfrenta um cenário delicado. Caso não retome o controle da comunicação oficial, há risco de encerrar o mandato sem apoio da mídia institucional, em meio à pressão de empresários que cobram mais transparência e equilíbrio na aplicação dos recursos públicos destinados à publicidade.

FONTE: REVISTA REFLEXO POLITICO