Brasil-Bolívia: Rondônia se prepara para impactos da criminalidade com a construção de nova ponte em Guajará-Mirim

A futura construção da ponte internacional ligando Guajará-Mirim (Brasil) a Guayaramerín (Bolívia) tem gerado expectativas econômicas e sociais, mas também preocupações com a segurança pública em Rondônia. A obra, vista como estratégica para a integração entre os dois países, poderá ampliar o fluxo comercial, mas ao mesmo tempo exige atenção redobrada para evitar o aumento da criminalidade transnacional.
Em entrevista recente, o secretário de Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), coronel Vital, destacou que o Estado já está se preparando para os impactos da nova ligação. “Hoje as facções trabalham como um negócio. É uma grande transportadora que tem recursos, investimento e um retorno muito grande. Sabemos do potencial impacto que essa ponte pode trazer e precisamos nos antecipar”, afirmou.
Segundo Vital, a ponte em Guajará-Mirim está localizada em um dos principais corredores do tráfico de cocaína, o que aumenta a preocupação das autoridades. “Estamos olhando esse cenário futuro e, se não nos prepararmos hoje, lá na frente, vamos sofrer”, alertou.
Além de Guajará-Mirim, outra área que preocupa as forças de segurança é a fronteira de Pimenteiras do Oeste, no Cone Sul de Rondônia. A região é considerada uma das mais frágeis no controle da circulação de pessoas e mercadorias entre Brasil e Bolívia.
A baixa presença de efetivo policial e a extensão territorial dificultam a vigilância constante, o que favorece a atuação de grupos ligados ao tráfico de drogas e contrabando. Essa realidade coloca Pimenteiras como um ponto vulnerável diante da crescente pressão das facções criminosas.
O secretário lembrou que, após os atentados praticados por facções criminosas em janeiro em Porto Velho, Rondônia passou a investir mais em inteligência, integração das forças policiais e aproximação com a comunidade. Atualmente, o Estado conta com cerca de 5 mil policiais militares, 2 mil policiais civis e 800 bombeiros, mas Vital reconhece que o efetivo da PM deveria chegar a 8 mil homens.
“Estamos investindo em efetivo e tecnologia. A comunidade tem sido de vital importância para chegarmos aos criminosos. O apoio da população, com informações anônimas, tem feito diferença”, destacou.
Com a proximidade da construção da ponte em Guajará-Mirim e os desafios de fiscalização em Pimenteiras do Oeste, Rondônia busca fortalecer seu sistema de segurança para enfrentar os reflexos da integração Brasil-Bolívia sem comprometer a tranquilidade da população.


