Vilhena receberá apenas um médico perito do INSS, apesar da estrutura física e grande demanda regional reprimida há anos

A chegada de médicos peritos do INSS a Rondônia, anunciada como uma “conquista” por diversos políticos, reacende um debate antigo sobre a precariedade do atendimento previdenciário em Vilhena. Embora o município possua uma agência estruturada e atenda uma região composta por seis municípios do Cone Sul, foi contemplado com apenas um profissional nesta primeira convocação do concurso público realizado pelo governo federal.
O senador Jaime Bagattoli (PL) foi um dos primeiros a anunciar a vinda dos peritos, atribuindo o feito à sua articulação junto ao Ministério da Previdência Social. Em abril, após muita pressão popular, Bagattoli já havia promovido um mutirão de perícias médicas em Vilhena, que atendeu centenas de pessoas. Hoje, o deputado federal Thiago Flores também passou a reivindicar protagonismo na conquista, destacando que seu trabalho garantiu a retomada das perícias em municípios do interior.
Apesar das celebrações políticas, os fatos apontam para uma realidade menos glamorosa. A nomeação dos profissionais decorre diretamente do concurso público nacional realizado pelo INSS, que teve mais de 22 mil inscritos disputando 250 vagas imediatas. A distribuição dos peritos foi feita com base em critérios técnicos, como tempo médio de espera por perícia e estrutura das agências6.
Na prática, Rondônia receberá dez médicos peritos nesta primeira chamada, com previsão de mais dez até o fim de agosto. A cidade de Buritis, com apenas 27.992 moradores, por exemplo, foi contemplado com dois profissionais e já tem garantido um terceiro na próxima convocação. Vilhena, por outro lado, mesmo com cem mil habitantes, prédio próprio e histórico de uma fila com mais de 10 mil pessoas aguardando perícias, ficou com apenas um perito.
A discrepância na distribuição levanta questionamentos sobre os critérios adotados e reforça a sensação de que Vilhena, apesar de ter representação política no Senado, não conseguiu traduzir sua demanda em resultados proporcionais. Enquanto isso, pacientes continuam enfrentando longas esperas e deslocamentos para conseguir atendimento, em uma região que há anos clama por mais atenção do sistema previdenciário.
A expectativa agora recai sobre a segunda convocação do concurso, prevista para agosto, e sobre a atuação dos parlamentares que, embora disputem os créditos, terão de mostrar que podem transformar promessas em soluções concretas para a população.
FOTO: FOLHA DO SUL
MATERIA: REVISTA REFLEXO POLITICO

